Tragédia na Grande São Paulo expõe a insegurança em escola em todo Brasil.

Redação - 14/03/2019 - 07:34


O massacre nesta quarta-feira  913/03) em uma escola pública na Grande São Paulo expõe o grave problema da insegurança em estabelecimentos de ensino em todo o Brasil. Os dois jovens assassinos, armados e encapuzados, entraram, sem dificuldades, pela porta da frente da Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano (SP), e abriram fogo a esmo no horário do intervalo, em uma tragédia que deixou 10 mortos, incluindo os dois criminosos (um atirou na cabeça do outro e depois se suicidou).

Eles carregavam um revólver calibre 38, um arco e flecha, uma besta (arma medieval que dispara flecha), uma machadinha e explosivos. Não foram abordados por vigia, segurança nem policial.

 

Os dois eram ex-alunos da escola e foram identificados como Guilherme Tauci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25. No colégio, eles mataram cinco estudantes, duas funcionárias e depois morreram. Antes de chegar à escola, Guilherme foi à loja de veículos do tio e o matou com três disparos.

 

A motivação do massacre ainda é investigada. A Polícia apurou que os dois jovens faziam parte de um grupo que joga em rede o game Call of Duty, de guerra, e neste fórum teriam planejado o crime. Os investigadores estão ouvindo os pais dos rapazes sobre essa questão.

“Eles atiravam em qualquer pessoa que aparecesse na frente deles. Estão dizendo que eles foram com uma lista pra matar, mas é mentira. Eles não queriam algo de valor, ou vingança. Eles queriam matar todo mundo”, disse uma aluna de 17 anos.

Armas

A tragédia serviu para que políticos de diferentes espectros defendessem posições sobre a liberação de armas, tanto contrários quanto favoráveis. O senador Major Olímpio (PSL-SP) afirmou que o massacre teria sido evitado caso os funcionários da escola estivessem com armas. “Para você enfrentar uns demônios armados desses só mesmo com instrumentos semelhantes. Se a legislação no Brasil permitisse o porte de armas, um cidadão de bem na escola, seja um professor ou um servente, evitaria a tragédia, impedindo que prosseguissem a marcha da morte deles”, disse.

Também senador, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) usou a tragédia para criticar o desarmamento e, de quebra, a maioridade penal. “Meus sentimentos a todos os familiares das vítimas covardemente assassinadas num colégio em Suzano. Mais uma tragédia protagonizada por menor de idade e que atesta o fracasso do malfadado estatuto do desarmamento, ainda em vigor”.

Para o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, a flexibilização da posse de armas, autorizada pelo presidente Jair Bolsonaro, não tem relação com a tragédia, uma vez que o armamento usado pela dupla de assassinos provavelmente não era legalizado.

“O evento em São Paulo não tem relação direta com os projetos propostos pelo nosso presidente no seu programa de Governo e a partir da sua assunção ao Planalto, capitaneados também pelo Ministério da Segurança”, disse o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros.

Luto

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que foi ao local do crime, decretou luto oficial de três dias no Estado, acompanhado de bandeiras a meio-mastro.

“A cena mais triste a que eu já assisti em toda a minha vida. Fico muito triste que um fato como esse ocorra aqui no Brasil e em São Paulo”, disse.
“Crianças e jovens são o bem mais precioso de uma nação. É inadmissível que sofram qualquer tipo de violência. O ambiente escolar deve ser sagrado”, afirmou o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez.

Insegurança

Fora de São Paulo, o massacre foi assunto entre trabalhadores da educação. “Vivemos em um País inseguro. O problema da violência não está somente na falta de segurança dentro ou fora das escolas. Está nas nossas condutas também. Por isso que temos que rever as políticas públicas”, disse a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas, Maria Consuelo. O Estado nordestino lidera o ranking nacional de taxas de analfabetismo.

Mundo

Além da tragédia em Suzano, nesta quarta-feira houve no mundo outro caso grave envolvendo escola. O prédio de quatro andares, onde funcionava uma escola de educação infantil, desabou em Lagos, Nigéria, deixando pelo menos oito mortos.

Embora não haja uma definição precisa de massacres em massa com armas de fogo, há um consenso de que os EUA são o país com a maioria dos crimes deste tipo no mundo, segundo o canal CNN. Muitas das vítimas são crianças e adolescentes, mortas ou feridas em horário de aula.

A rede BBC noticiou que o ano passado foi o mais mortal em relação a ataques a tiro em escolas, com 113 vítimas. Entre maio de 2017 e maio de 2018, foram quinze ocorrências em instituições no país.

O crime em Suzano traz à memória o massacre da escola de ensino médio Columbine, no Colorado, em 1999, que entrou para a história como marco desse tipo de violência. Foram 13 vítimas no crime que inspirou até um filme, “Elefante”, do cineasta americano Gus Van Sant.

OUTROS CASOS

Realengo (RJ)

Em abril de 2011, em Realengo, no Rio, 12 adolescentes morreram no massacre da escola Tasso da Silveira. Eles foram vítimas de Wellington Menezes de Oliveira, 23, que atirou contra as vítimas na sala de aula e cometeu o suicídio. Em anotações, ele pôs a culpa pelo massacre nos que o humilharam na adolescência

Goiânia (GO)

Um adolescente de 14 anos matou dois colegas e feriu outros quatro, em outubro de 2017, em Goiânia. O jovem utilizou uma pistola .40 da mãe, que assim como o pai é policial militar. Segundo a Polícia Civil, na época, o adolescente foi motivado por bullying

Columbine (EUA)

No dia 20 de abril de 1999, os adolescentes Eric Harris, 18, e Dylan Klebold, 17, mataram 12 colegas, um professor e se suicidaram, na escola de ensino médio Columbine, no Colorado. A tragédia foi retratada no documentário “Tiros em Columbine”, lançado em 2002 por Michael Moore

Newtown (EUA)

No dia 14 de dezembro de 2012, na escola Sandy Hook, Adam Lanza, 20, faz 27 vítimas na escola de ensino primário Sandy Hook, em Newtown, no estado de Connecticut. Foram 20 crianças com seis e sete anos e funcionários da instituição de ensino. Ele se matou

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