CURITIBA - A força-tarefa da Operação Lava-Jato devolveu R$ 654 milhões para a Petrobras nesta quinta-feira. O dinheiro foi recuperado no último ano via acordos de delação premiada com pessoas investigadas e acordos de leniência com empresas que admitiram participar de esquemas de corrupção. Somando-se ao que foi devolvido nos últimos dois anos, a Petrobras já recuperou cerca de R$ 1,5 bilhão desde o início das investigações.
Apesar do resultado positivo, o dinheiro da corrupção que foi recuperado pela força-tarefa representa 13% do total previsto em todos os acordos já feitos pelos investigadores de Curitiba e Brasília. Os 163 acordos de delação premiada e os dez acordos de leniência firmados no âmbito da Lava-Jato prevêem o retorno de R$ 10,8 bilhões aos cofres públicos.
Presente ao evento de devolução do dinheiro, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, criticou "iniciativas para tentar constranger" a Lava-Jato.
A Petrobras foi o tempo todo prejudicada por desonestidade de alguns poucos executivos em conluio com empresas igualmente desonestas e maus políticos. Somos a principal vítima de um gigantesco esquema de desvios de recursos públicos, ímpar no país e infeliz destaque no cenário mundial. Não deixemos que o tempo decorrido desde o início da operação esmaeça a percepção dessa incomensurável contribuição, especialmente quando certos atores começam a propor medidas para tentar constranger os principais protagonistas desta iniciativa discursou.
Questionado sobre a quem se referia, tendo em vista que há políticos do PMDB, partido do presidente Michel Temer, citados na operação e que mudanças na PF foram promovidas pelo presidente, ele disse que se referia a outros partidos:
Não converso com o presidente em relação a outros assuntos, apenas em relação a Petrobras. E, no cargo, tenho autonomia dada pelo presidente como nenhum outro nas últimas décadas — disse.
Segundo Parente, não é possível apontar de maneira exata como os recursos devolvidos serão investidos dentro da estatal, já que eles se somam ao caixa da empresa como um todo.
Há um trabalho duro para reduzir a dívida da empresa e recuperar sua reputação — afirmou.
Já o procurador Deltan Dallagnol disse que esta quantia é pequena perto do que está para ser recuperado.
Esta é uma amostra do que está por vir se as investigações puderem continuar. É uma árvore frondosa que cresce no deserto, num ambiente hostil, em que pequena parte dos recursos é devolvida. É preciso que o Congresso Nacional, com o seu trabalho, mantenha isso afirmou.
Questionado sobre o possível desvio de finalidade da delação premiada, o procurador afirmou que o instituto é utilizado para maximizar as punições e garantir a devolução de recursos.
As colaborações, são, de longe, o melhor instrumento para investigar a corrupção e ressarcir os cofres públicos. É preciso que o Judiciário preserve as colaborações premiadas para que a sociedade não fique a ver navios como no passado — disse.
A devolução desta quinta-feira é a maior já realizada de uma única vez para os cofres públicos por uma investigação criminal, segundo o Ministério Público Federal (MPF) do Paraná.