
ITABELA – Pelo menos 60 famílias ocuparam na manhã deste sábado (6) pela segunda vez um mesmo terreno que haviam ocupado anteriormente, situado na Avenida Guaratinga, no bairro Ouro Verde. A área pertence ao município de Itabela.
As famílias alegam que na primeira ocupação a mesma área no ano de 2010, ouve uma reunião com o prefeito Osvaldo Gomes Caribé, onde foi firmado um compromisso entre as famílias e o executivo que se eles desocupassem o local, no máximo até o mês de janeiro de 2011 o prefeito entregaria as casas prontas. “Deixamos a área, mas as casas não foram construídas até hoje”, alegam.
O terreno invadido pelas famílias carentes de vários bairros da cidade no último fim de semana foi comprado pelo ex-gestor Júnior Dapé no ano de 2008 e seria destinado à construção de casas populares do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’. O ex-prefeito deixou até mesmo o projeto pronto, mas três anos se passaram, e até hoje o projeto não saiu do papel. "Nós tivemos uma reunião com o prefeito Caribé, que nos garantiu que esta obra iria ser feita, mas não obtivemos resposta", disse o aposentado José da Rocha Viana, de 76 anos, que se diz líder das famílias.
O senhor José relata que as pessoas que estão demarcando os terrenos são na maioria, mães solteiras e casais muito jovens que não tem condições de comprar uma casa. “Estamos aguardando representantes da prefeitura para negociações, e digo logo, se eles não podem construir as casas, que então liberem o terreno que se encontra abandonado, as famílias aceitam”, argumenta.
Os moradores ouvidos pela reportagem do site Giro de Notícias insinuam que os programas habitacionais, tanto do estado, quanto do município deixam muito a desejar e só favorecem quem está próximo ao poder.
Conforme ainda uma moradora do bairro Jaqueira, Gabriela, no ano de 2010 quando eles ocuparam o terreno pela primeira vez a prefeitura mandou ao local a polícia militar para dizer que eles teriam que sair ou seriam expulsos do terreno. "Nós queremos é a presença dos “chefes” da prefeitura para podermos negociar, chega de ameaças”. Disse Gabriela, outra líder das famílias.
Os vereadores José Amaro, Antônio da Silva Veloso o ‘Gordo’ e o presidente da Câmara de vereadores, Lúcio França estiveram no local na manhã desta terça-feira (9) e se reuniram com as famílias e ouviram as reivindicações dos moradores que querem a liberação para que eles possam construir os barracos até que sejam construídas as casas. Eles alegam não terem onde morar. Muitas das famílias estão morando em um local de risco, pois passa sobre o local uma rede elétrica de alta-tensão.
Segundo os vereadores, eles irão se reunir com o prefeito ainda hoje (terça-feira (09) para discutir o assunto. “O que não pode é deixar mais de 60 famílias sem uma solução”. Disse o vereador Lúcio França.