ITABELA – O acampamento Margarida Alves localizado às margens da BR -101, a 12 quilômetros da cidade de Itabela, com 1.150 famílias cadastradas, comemoram a farta colheita de feijão, milho, abóbora e outras culturas. Os acampados estão cada vez mais entusiasmados com as atividades do campo, e não se fala em outra coisa dentro do acampamento: é plantar, colher e viver feliz em meio à fartura de alimentos.
A equipe do GN esteve no acampamento Margarida Alves na manhã desta terça-feira (16) e conversou com alguns trabalhadores acampados, como o senhor Berilo José da Costa de 73 anos de idade e pai de nove filhos, que nos contou que sempre trabalhou como empregado em fazendas da região. “O meu maior sonho era ter um pedaço de chão, agora eu tenho. Agradeço a Deus e à Reforma - Agrária”.
A trabalhadora Valdecir Ferreira de Souza de 43 anos, que no momento em que estivemos no local estava colhendo feijão, não conseguia disfarçar a alegria. A mulher que cresceu em meio às agitações da cidade, hoje labutando na lavoura, nos disse: “eu só conhecia feijão no prato”.
O senhor Milton Ribeiro da Silva de 63 anos, pai de cinco filhos e avô de 16 netos, nos contou que vivendo acampado, ele conheceu uma nova experiência de vida, além de viver da terra, ele também apreendeu a conviver em comunidade. “O ambiente do acampamento é bem diferente do que vivemos na cidade, a gente aprende a valorizar a terra, respeitar o meio ambiente e trabalhar em coletividade”, disse.
O coordenador do MST, Luciano Fernandes, relembrou o dia em que ocuparam a área (03 de Abril de 2011). “Antes esta mesma área que hoje produz o sustento de mais de 1.150 famílias era uma área improdutiva, não gerava empregos e não contribuía com o desenvolvido da cidade. Hoje muitas famílias que se encontravam desempregadas e sem moradias, e que viviam além da linha da pobreza, estão sobrevivendo desta terra. É daqui que elas tiram o seu próprio sustento”, disse Luciano.
Indagado por nossa reportagem sobre denúncias que rondou o acampamento Margarida Alves nos últimos dias, publicadas por um meio de comunicação, sobre o envolvimento de acampados em roubo de madeira na área ocupada pelo movimento, o coordenador Luciano Fernandes nos disse: “desconheço esta ação criminosa, dentro do movimento nós não retiramos madeira e não aceitamos que retire. O nome citado na matéria é de um parceiro do movimento, o vereador ‘Max’ e os coordenadores do acampamento: ‘Tião do montinho’, ‘Carlinhos’ Bobbio e ‘Tatá’. Estes têm autonomia de coordenação para impedir qualquer ação dentro da área do acampamento em minha ausência, assim como outros acampados. No dia em que ocorreu a denúncia, eu estava viajando, logo que retornei de viagem conversei com os companheiros e posso afirmar que foi uma denúncia irresponsável, que teve um objetivo político, o que eu não aceito dentro do movimento. Em primeiro lugar temos é que estar preocupados com o bem-estar dos acampados”, enfatizou.