
ITABELA – Aconteceu na noite desta terça-feira (30) uma reunião pública de certificação da Veracel com produtores de eucalipto, promovida pela Cerflor no Centro de Cultura de Itabela para tratar do projeto de certificação, manejo e legislação de eucalipto. A reunião contou com a presença de pouquíssimos produtores, que demonstraram dúvidas, desconhecimento e medo sobre o projeto.
O objetivo do encontro é ajudar os produtores de eucalipto a obter certificação para cada fazenda, tratando-se de um trabalho em grupo. Foi preparada uma palestra sobre cooperação, ministrada por Fábio Dib e Maria Augusta, com o intuito de que todos venham a trabalhar juntos e levar para cada fazenda os certificados.
O Programa Nacional de Certificação Florestal (Cerflor) garante que o manejo florestal praticado pela empresa atenda aos princípios e requisitos ambientais, florestais, trabalhistas, previdenciários e sociais. A reunião pública do processo de recertificação da Veracel Celulose aconteceu com base nos requisitos do programa. O processo é feito a cada cinco anos com auditoria nas atividades da empresa e consultas públicas às comunidades nas áreas de influência de sua base florestal.
Anualmente os auditores do programa de certificação visitam a empresa e as comunidades que sofrem influência de sua atividade para verificar se os compromissos assumidos pela Veracel estão sendo mantidos, caso não estejam de acordo com as normas da empresa, a fazenda pode perder a certificação.
A reunião pública nos primeiros 45 minutos foi de explanação por funcionários da empresa Bureau Veritas, que estava a serviço da Veracel. Foi falado sobre o que é a certificação e qual a adaptação que a fazenda precisa fazer para possuí-la. Nos minutos finais foi franqueada a palavra pra que os silvicultores tirassem suas dúvidas através de perguntas. Um pequeno produtor de eucalipto, o senhor Charles, com propriedade no município de Guaratinga surpreendeu a todos os presentes com as suas colocações referentes às ilusões que o plantio de eucalipto causa na primeira impressão.
“Não achava que seria tão difícil e tão complexo plantar eucalipto, que a lei seria a mesma para o pequeno e o grande produtor, isto é custoso para o pequeno produtor porque o pão dele é “retirado” daquela propriedade. A minha área é de diversificação com o plantio de pimenta do reino, café e eucalipto, e tenho que me adequar à legislação e o peso é bem maior para o pequeno, eu acredito. A legislação é muito cruel, quase desumana, a gente olha e observa nos órgãos de imprensa, as autoridades que representam o cidadão comparam o silvicultor com um criminoso. Eu não sabia que era tão dificultoso plantar eucalipto, se soubesse teria pensando duas vezes antes de plantar”, disse o senhor Charles.
Os produtores de eucalipto de Itabela esqueceram ou não quiseram comparecer à reunião. Dos 14 silvicultores que estiveram presentes, somente cinco possuem propriedade no município.