
Lixo hospitalar descartado no pátio do próprio Hospital Frei Ricardo
ITABELA – Através de denúncias feitas por populares, que pediram para terem seus nomes preservados por temerem represálias, iniciamos um trabalho investigativo em relação aos descasos que vem ocorrendo naquela unidade de saúde. Em uma breve visita ao Hospital Frei Ricardo em Itabela, que já chegou a ser considerado um dos menos deficientes dos municípios da região, foi suficiente para ouvir dos moradores e funcionários relatos sobre a falta de condições básicas de atendimento.
A reportagem do GN começou a monitorar o cotidiano do Hospital Frei Ricardo há mais de 20 dias após as denúncias. Durante esses dias flagramos diversas irregularidades, como o lixo hospitalar sendo transportado para o lixão em um caminhão da empresa EH Administradora de Serviços Urbanos, responsável pela coleta de lixo no município; lixo amontoado no pátio sem o menor cuidado com a saúde pública; hospital sendo limpo com rodo e pano de chão, descumprindo as normas sanitárias.
Outra situação constatada pela nossa equipe foi ver que as roupas dos pacientes do Hospital Frei Ricardo são lavadas à mão, pois a lavanderia da entidade está desativada há muito tempo por motivos de problemas técnicos. A higienização do vestuário hospitalar, vale ressaltar, requer procedimentos diferenciados para fins de evitar a contaminação dos pacientes e profissionais de saúde, por conter grande quantidade de microrganismos, que podem ser responsáveis pelas temidas infecções hospitalares, que tem causado a morte de muitos pacientes no país.
A nossa reportagem presenciou duas funcionárias lavando as roupas manualmente na manhã desta quarta-feira (31). Era grande o volume de lençóis e batas usadas pelos pacientes internados, a maioria encharcada de sangue e excrementos. O forte mau cheiro é exalado das roupas que são destinadas à lavanderia. As funcionárias não quiseram falar com a nossa reportagem, mas percebemos a preocupação das mesmas, que temem danos à saúde.
Procurado pela nossa equipe de reportagem, funcionários que não quiseram se identificar admitiram que realmente as roupas do hospital estão sendo lavadas de forma manual, e que o incinerador está desativado há anos, ainda salientaram que tudo é do conhecimento do secretário de Saúde do município, Luiz Resende.
Acompanhado de um morador de Itabela, estivemos durante a manhã desta quarta-feira (31) no lixão de Itabela, local onde são descartadas toneladas de lixo todos os dias. La também nós encontramos outras irregularidades, como duas crianças que estavam trabalhando no local e um senhor catando lixo sem as luvas e mais três pessoas sem utilizar as máscaras de proteção, em meio ao mau cheiro e centenas de urubus.
Entre uma enorme quantidade de lixo nós encontramos uma sacola com material hospitalar, como seringas; agulhas e mangueiras usadas para a aplicação de soro, com machas de sangue.
Através de uma reclamação de um proprietário de terras que ficam próximas ao lixão, flagramos uma situação de crime ambiental, todos os dejetos retirados de fossas em Itabela são despejados e escorrem a céu aberto, que com as chuvas, são levados pelas enxurradas para dentro de uma nascente que deságua no Rio dos Frades, que abastece a cidade.
O catador de lixo que gerencia o lixão, o senhor Alenilson Almeida dos Santos, nos contou que é normal encontrar lixo laboratorial, ambulatorial e farmacêutico, mas nega que o lixo hospitalar produzido pelo Hospital Frei Ricardo, como seringas; agulhas; vasilhames de medicamentos e outros estejam sendo descartados em meio ao lixo comum. De acordo com Alenilson, este tipo de lixo é separado e incinerado em um buraco a céu aberto lá mesmo no lixão.
Embora o Programa de Saúde da Família (PSF) em Itabela atenda a cerca de 70% da população, os postos de saúde do município não têm atendimento 24h e também não funcionam nos fins de semana. Outra denúncia é que faltam remédios em quase todas as unidades, o que obriga a população a procurar atendimento em outras cidades com mais estrutura, como a vizinha Eunápolis.