
ITAMARAJU - O presidente da Câmara de vereadores de Itamaraju, vereador Rubens Cleudes de Jesus Neves, o “Rubens do Hospital”, fez um pronunciamento em que expressou o seu sentimento em nome do Poder Legislativo, contra o plantio de eucalipto, tendo dito que a monocultura é nociva ao solo e à economia do município.
O pronunciamento do vereador Rubens do Hospital, ganhou apoio expressivo de todos os parlamentares presentes, principalmente dos vereadores Clemildes Nunes, Damião Fonseca, Osvaldo Silveira Rocha, o “Valzão”, e Élan de Lozinho, que endossaram as palavras do presidente, também se pronunciando contra o plantio do eucalipto.
Veja abaixo a íntegra do discurso do vereador Rubens:
A Câmara Municipal de Itamaraju, através da sua presidência e seus vereadores, vem esclarecer à população do nosso município, que esta casa de leis nunca teve a intenção e nem tramita em suas comissões permanentes nenhuma intenção ou projeto que vise alguma proposição almejando a plantação de eucalipto no município de Itamaraju.
Devo dizer que a Câmara Municipal de Itamaraju, preza pelo desenvolvimento agropecuário que consolidou a economia do município ao longo da sua existência e nunca foi e nem será, a intenção de nenhum dos vereadores da atual bancada, propor a autorização do fomento do plantio de eucalipto em nosso município.
Devo esclarecer que onde o eucalipto foi plantado, apenas as multinacionais e os seus fomentadores, têm lucrado com esta praga que tem acabado com o solo, com a mata atlântica e com os rios da nossa região. Os exemplos são os municípios de Mucuri, Nova Viçosa, Caravelas, Ibirapuã, Alcobaça e Itabela, que foram tomados pelo plantio de eucalipto e registram um enorme índice de prostituição infantil e de roubos urbanos.
Onde o eucalipto tem expulsado o trabalhador rural do seu habitat natural, jogando o homem do campo na zona urbana, onde a fome tem lhe assolado, seus filhos virados marginais e suas filhas transformadas em prostitutas, banindo o homem do campo da sua economia apropriada e causando uma terrível desagregação social.
Não queremos que Itamaraju um dia sofra deste mesmo mal que outros municípios do extremo sul da Bahia e do extremo norte do Espírito Santo têm sofrido, onde suas zonas rurais se transformaram em cinturões verdes intermináveis e seus trabalhadores que ainda restam, sofram mutilações financeiras e perseguições impostas pelas próprias empresas de celulose, fomentadores ou prepostos de empresas de segurança que agem para favorecer o domínio das grandes multinacionais que vieram e se instalaram em nossa região e não dão nada em troca à população menos favorecida, como contrapartida social.
Devo ainda informar que Itamaraju lidera em alguns números econômicos: somos ainda o segundo maior produtor de cacau da Bahia, temos o maior rebanho bovino do Estado, temos a maior bacia leiteira da divisão baiana, somos o segundo maior produtor de mamão do país, temos a maior produção de café conilon do mundo e possuímos a segunda melhor água do Brasil, perdendo apenas para qualidade do liquido mineral de Cuiabá no Mato Grosso, segundo dados de institutos científicos ligados à Coca-Cola.
Portanto, não queremos que Itamaraju morra economicamente para que apenas meia dúzia de latifundiários e fomentadores enriqueça nas costas da nossa população. O eucalipto nunca será bem vindo a Itamaraju, porque desejamos um município forte de uma agricultura crescente sempre. Prezamos pelo homem do campo e preservamos o meio ambiente.
A Câmara de Itamaraju vem repudiar qualquer intenção de quem quer que seja, que queira simular o intuito de plantar eucalipto em Itamaraju. Este Poder Legislativo não aceita e nem aprecia projeto desta espécie. O nosso objetivo é informar, caso exista, a quem deseje defender este tipo de monocultura em Itamaraju, que aqui não tem espaço para este tipo de praga –, que é nociva para nossa economia, para nossa população e principalmente, é nociva para o nosso solo. E quem ama Itamaraju, deve dizer sempre: “Não ao eucalipto”.