ITABELA - Menores infratores com idade para estudar, jogar bola ou praticar outras atividades educacionais estão cada vez mais distantes dessa realidade, infelizmente o aprendizado e seus brinquedos são armas de fogo e drogas. Jovens que trocaram a escola pelo mundo do crime ficam impunes em Itabela por falta de estrutura.
Sem assistência, o adolescente infrator de hoje será o criminoso de amanhã. A lacuna desses adolescentes é facilmente preenchida pelo tráfico de drogas, assaltos e até homicídios. Segundo opinião de alguns moradores de Itabela, se as medidas do ECA (Estatuto da Criança e do Adolesceste) fossem devidamente aplicadas, os adolescestes não estariam como estão hoje.
O menor de iniciais L.S.A., de 16 anos, residente no Bairro Irmã Dulce, acusado de ter praticado mais de 20 furtos em residências nos últimos 15 dias em Itabela, segue a rotina de uso de entorpecente, praticamente todos os dias. E todas as vezes que é apreendido, ele usa a mesma desculpa, e se defende ao jurar que largou as pedras de crack. Quando questionado sobre furtos, ele afirma que não foi ele. E como sempre é liberado por falta de um local para colocá-lo.
Na tarde desta sexta-feira, dia 30 de setembro, por volta das 14h00, o menor infrator Luciano invadiu uma residência próxima ao estádio municipal em Itabela e levou dois aparelhos celulares e uma bolsa com uma pequena quantia em dinheiro da senhora Nelci Dias dos Santos, de 56 anos. A aposentada nos contou que o menor entrou na residência pela janela em menos de 20 minutos após ela ter saído de casa.
Na noite desta sexta-feira, dia 31 de setembro, o menor Luciano foi encontrado caído em um terreno baldio no bairro Bandeirante por volta das 20h00 com vários golpes na cabeça e no pescoço. Ele foi socorrido por um pastor evangélico e levado para o Hospital Frei Ricardo. O menor não corre risco de morte.
De acordo com o médico, Dr. Marco Antônio, os atos infracionais estão diretamente relacionados com a situação de vulnerabilidade social vivida pela família do adolescente. Na visão do médico, o fato de os pais terem baixa renda e passarem grande parte do dia longe de seus filhos, contribui para que esses meninos e meninas se entreguem à marginalidade, mesmo que seja como uma espécie de “escudo” para adultos criminosos escaparem das punições previstas na lei.
A região sul do estado da Bahia é o maior exemplo da incapacidade do poder público. A falta de centros de recuperação para menores infratores obriga a justiça a entregar os jovens diretamente aos responsáveis. Nos casos mais graves, como homicídios, os adolescentes são apreendidos e levados para a cadeia.