Conselho de Química alerta sobre eficácia de túneis de desinfecção.

Giro de Noticias - 12/05/2020 - 10:11


Os túneis de desinfecção instalados pelas Prefeituras, tem causado polêmicas. As autoridades sanitárias contestam a eficiência do processo e alertam para o risco de crises alérgicas que possam ser provocadas.

Quando a pessoa passa pelo túnel, ele solta jatos com uma mistura de água e dióxido de cloro. A passagem dura de 20 a 30 segundos. A ideia é desinfetar as roupas e o corpo, evitando assim o risco de transmissão do novo coronavírus.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no entanto, emitiu uma nota técnica esclarecendo que a aprovação dos produtos utilizados é válida somente para a aplicação em objetos e superfícies, e não para aplicação direta nas pessoas. A Anvisa se diz preocupada, porque muitas prefeituras do país estão instalando os túneis.

A Anvisa alerta, ainda que, nenhuma organização internacional recomenda a utilização de túneis ou câmaras para a desinfecção da população contra a covid-19 e que não há nenhuma evidência científica de que o uso dessas estruturas seja eficaz.

No Espírito Santo, o Conselho Regional de Química também afirma que não existe evidência de que o procedimento funciona. E os infectologistas, além de contestarem a eficácia do processo, alertam para o risco de exposição da pele a substâncias químicas.

"Essas substâncias podem provocar dermatites graves, levar a fenômenos alérgicos e promover sintomas respiratórios que podem ser graves. Em segundo lugar, a efetividade para desinfecção é baixa, o objetivo é que se elimine vírus das superfícies, mas a eliminação das superfícies corporais depende de uma exposição homogênea, o que não é garantido pelo túnel", afirma o médico infectologista Crispim Cerutti.

Segundo a infectologista Rúbia Miossi, existem outras maneiras de evitar o contágio que são mais simples e mais baratas, e que tem eficiência comprovada pela ciência, entre elas está a higienização das mãos.

Segundo Castro, o Conselho Regional de Química no Espírito Santo irá acionar as autoridades competentes para que sejam seguidas as orientações da Anvisa. “Depois da nota técnica da Anvisa onde ela diz, inclusive, que quem borrifar produtos desta natureza em pessoas pode responder civil penal e administrativamente, nós vamos acionar as autoridades, os demais órgãos competentes, o Ministério Público para que se faça cumprir essa orientação da Anvisa, ou seja, não utilizar neste momento esses túneis de desinfecção”, destacou.

De acordo com a nota técnica 38/2020 da Anvisa, publicada no último dia 7 e citada pelo presidente do Conselho, “não foram encontradas evidências científicas de que o uso dessas estruturas para desinfecção seja eficaz no combate ao SARS-CoV-2, podendo, diante de novos estudos, ser modificado este posicionamento, a qualquer momento”. O órgão diz ainda que “somente recomenda a utilização de saneantes sobre superfícies inanimadas, de modo que a borrifação sobre seres humanos dá uso diverso a aquele que foi originalmente aprovado”, e que a “borrifação de saneantes sobre seres humanos tem potencial para causar lesões dérmicas, respiratórias, oculares e alérgicas, podendo o responsável da ação responder penal, civil e administrativamente”.

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