A professora Tomázia Santana Azevedo digitou quatro números da senha do cartão no computador. Foi o que bastou para ter R$ 3 mil sacados da conta corrente, outros R$ 3 mil em empréstimos feitos em seu nome e o cartão usado para pagar 28 contas de luz no Pará. “Parei de usar a internet. Agora, só acesso para tirar saldo”, revela a professora de estudos africanos do ensino médio.
Esta semana, uma senhora de 65 anos procurou a polícia depois de ter depositado R$ 20 mil em uma conta no Paraná para uma quadrilha de Goiás. Ela acreditou na promessa fácil de um site, de empréstimo de R$ 150 mil.
Histórias como essas se multiplicam e levaram o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) a propor a criação do Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos. A unidade deve ser implantada nos próximos 15 dias, segundo garante o procurador-geral de Justiça, Wellington Silva.
Este será o segundo núcleo específico implantado por ministérios públicos estaduais no Brasil. O primeiro foi em Minas Gerais, há três anos. “Os dados nesse tipo de investigação são peculiares, e há a necessidade de especialização, tanto do promotor quanto do policial”, defende a promotora de justiça Vanessa Fusco, coordenadora da Promotoria de Combate aos Crimes Cibernéticos (PECCiber), do Ministério Público do Estado de Minas Gerais.
O treinamento dos promotores baianos será dado pelos colegas mineiros do PECCiber, estendido também a policiais que atuam na área. O núcleo baiano estará ligado ao Centro de Apoio Operacional Criminal (Caocrim), do MP-BA, e terá até dois promotores de justiça e cerca de cinco servidores, segundo o procurador-geral.
Pesquisa - Na Bahia, nem a Polícia Civil nem o Ministério Público estadual possuem números sobre este tipo de crime. Mas a pesquisa internacional Ranking Motorola de Cidades Digitais, divulgada no ano passado, colocou Salvador como a 12ª cidade mais digital da América Latina – o que indica risco aos soteropolitanos.
Agência A TARDE