
Assim como inúmeros brasileiros, a deputada federal Bia Kicis lamentou a decisão do ministro Edson Fachin de anular as condenações pendentes contra o ex-presidiário Lula, condenado no âmbito da Operação Lava Jato.
Em manifestação na Câmara dos Deputados, por meio de videoconferência, a parlamentar classificou o episódio como “digno de tristeza” para o povo brasileiro.
“[É um evento] digno de muita tristeza para o povo brasileiro. Refiro-me aqui a decisão monocrática do Ministro Fachin de anular todas condenações do ex-presidente Lula e torná-lo elegível para 2022. [Falo aqui] não tanto pela questão das eleições, mas principalmente porque um processo em que o condenado foi condenado em 3 instâncias e uma canetada tem todo processo anulado” — declarou o parlamentar.
O comentarista Augusto Nunes, do programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, afirmou, nesta segunda-feira, 8, que a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de anular todas as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva relacionadas às investigações da Operação Lava Jato “desmoraliza a Corte”. Segundo ele, Lula foi “absolvido de todos os pecados”. DISSE
“Ele [Fachin] que chame a decisão do que quiser, o caso é que se valeu de filigranas jurídicas para tentar desmoralizar a maior operação anti corrupção da história, que liquidou o maior esquema corrupto da história. Não é anulação não, ele absolveu Lula de todos os pecados e, com isso, desmoralizou o STF. Isso sim é desmoralizar uma instituição e colocar em risco a democracia, e tenta desmoralizar os verdadeiros juízes, os de 1ª instância, não é só o Moro, e os desembargados do TRF”, disse Augusto.
Ele lembrou, ainda, que Fachin foi indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff. Ou seja, estaria “pagando a conta da madrinha”. “O Fachin demorou, mas pagou a conta. Finalmente começou a pagar a conta ao padrinho, no caso à madrinha [Dilma], que o nomeou ao STF. Ele é apenas um advogado. Até chegar ao Supremo ele não julgou nada, defendeu causas e quase sempre esteve do lado errado. Ele absolveu Lula por excessos de crimes e transformou Lula no inocente mais culpado da história do Brasil”, afirmou. De acordo com ele, se as condenações dos casos do tríplex do Guarujá, do sítio em Atibaia, do interior de São Paulo, e do Instituto Lula forem realmente anuladas, abrirá precedentes para concluir que “não existiu o Petrolão”.
“Se o Lula não tem contas a acertar com a justiça, o Petrolão não existiu, e por conseqüência deveria terminar o monumento ao cinismo que começou a montar. Tem, por exemplo, que autorizar a devolução do dinheiro das colaborações premiadas. Quem deu dinheiro, pega de volta, já que não houve Petrolão“, ironizou Augusto. “É o que está dizendo, entre outras bobagens, o ministro Fachin”.
“Se o chefe não existiu, não existiu a quadrilha, então devem também indenizar Lula pela prisão injustíssima, segundo Fachin, com a devolução do sítio de Atibaia, já com o Dirceu fantasiado de caseiro. Não existiu nada, nenhuma empreiteira roubou e a Odebrecht inventou aquele departamento de propinas, que tem os codinomes de todos os ladrões, é brincadeira de algum funcionário da empreiteira. O Fachin deveria ser julgado pelo Supremo por ter desmoralizado a Corte com essa decisão.”
Dallagnol alerta para risco de prescrição em casos envolvendo Lula após decisão de Fachin. A PGR vai recorrer da decisão de Fachin que anulou condenações de Lula