
Colegas que trabalharam com o soldado afirmaram, nesta segunda-feira, 29/03, que, nos 13 anos na PM, Wesley sempre foi prestativo, brincalhão, sorridente e cumpridor de suas obrigações na 72ª CIMP (Itacaré). No entanto, nos últimos dias, estava nervoso, e o motivo, ainda segundo os mesmos colegas, seriam divergências políticas. O policial não concordava em fazer cumprir o fechamento do comércio, medida adotada para combater o avanço da pandemia.
“Ele era contra o fechamento do comércio, mas nunca deixou de cumprir as ordens. Fazia, mas sempre dizia que não estava correto, que o comerciante tinha que trabalhar”, contou um policial da 72ª CIPM, que pediu para não ser identificado. Por telefone, o colega disse ainda que Wesley era calmo, mas que já há algum tempo discutia quando algum colega não compartilhava das opiniões dele.
O comportamento de Wesley no domingo deixou os colegas espantados. O soldado, antes de ser morto pelo Bope por volta das 18h30, invadiu o gramado em frente ao Farol, por volta de 14h20, desceu do veículo e começou a dar tiros para cima. “Nunca imaginávamos que ele fosse reagir dessa forma. Nunca apresentou surto no trabalho, não tomava remédio controlado, não usava drogas, não bebia. Era um cara da geração saúde. Nunca sequer levou advertência”, disse o colega.
Wesley trabalhou nas companhias de Itamaraju e Paulo Afonso. “Conheci ele lá em Paulo Afonso e depois vim para a unidade de Itacaré. Como a companhia é grande, a gente se encontrava nos plantões extras. E em todas às vezes, ele sempre demonstrou tranqüilidade. A última vez que o vi, foi há dois meses e ele estava bem, sorrindo como sempre. Era um menino bom”, declarou outro PM da 72ª CIMP, que também optou pelo sigilo.
Família e amigos
Os parentes de Wesley estiveram nesta segunda-feira, 29, pela manhã no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR) para a liberação do corpo. Eles estavam na companhia de advogados e prepostos da PM e da Associação dos Policiais e Bombeiros do Estado da Bahia (Aspra), mas não quiseram falar com a imprensa. O corpo do soldado foi liberado para a cidade de Itabuna, onde o ele residia, e foi sepultado ontem mesmo.
Uma vizinha de Wesley, que também pediu para não ser identificada, disse que era amiga do solado desde a infância. “Era um bom filho, amigo, irmão, gente do bem, muito positivo, muito doce”, acrescentou ela, que se mostrou chocada com a morte do amigo. “Está todo mundo em estado de choque, ainda mais porque ele foi criado na igreja pelos pais”, disse.
Perguntada se percebeu alguma mudança em Wesley nos últimos anos, a amiga respondeu que o que espanta é justamente ninguém ter percebido nada. “Nunca soubemos que ele agrediu alguém, que abusou do poder da farda”, afirmou.
Já a amiga Joseane Torres Santana, 28 anos, disse que Wesley dizia estar passando por problemas na corporação. “Ele dizia que estava se sentindo oprimido, mas não entrava nos detalhes”.
A amiga disse ainda ter se colocado à disposição do rapaz para escutá-lo e o aconselhou a buscar ajuda profissional. “Meu pai é policial militar aposentado e já precisou de tratamento psiquiátrico. Ele até disse para Wesley procurar ajuda psicológica fora da PM, pois senão ele só iria se prejudicar”,disse.
Em um tom bem orrogante, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), divulgou pronunciamento nas redes sociais para falar sobre a repercussão do episódio que terminou com a morte de um soldado da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) na noite de ontem (29), no Farol da Barra.
"Quero lamentar profundamente o fato ocorrido neste domingo e ao mesmo tempo manifestar meus sentimentos à família do policial envolvido. Também quero estender minha solidariedade a todos os policiais que participaram da operação e colocaram suas vidas em risco. O final de semana foi de ataque a mim e a governadores e prefeitos do Brasil inteiro, mas não iremos nos intimidar com mentiras e ameaças”, comentou o governador.
O gestor estadual ainda aproveitou o pronunciamento para reafirmar o trabalho de combate à pandemia.. “Reafirmo meu compromisso com o enfrentamento da pandemia e com a saúde e a vida dos baianos e baianas. Continuaremos lutando dia após dia por mais vacina. Vacina para policiais militares e civis, para guardas municipais e para os trabalhadores da educação. Vamos continuar trabalhando pela paz em nosso país, pelo desenvolvimento, pela harmonia e pelo respeito às leis e à constituição", finalizou Rui em vídeo publicado em suas redes sociais.
A Polícia Militar afirmou que ainda não sabe o que motivou o possível ‘surto psicótico’ do soldado Wesley Soares. Em entrevista coletiva, o comandante da PM, coronel Paulo Coutinho, afirmou que não há conhecimento de nenhum fato que pudesse ter motivado a situação no Farol da Barra. "Estamos todos surpresos e atônitos com o que aconteceu", afirmou o comandante.
Ainda de acordo com ele, Wesley morava com a irmã em Itabuna e tinha terminado um relacionamento amoroso há três meses, mas de forma amigável. O PM tinha um comportamento exemplar e não havia apresentado problemas psiquicos antes. O coronel ainda acrescentou que estava em contato com a família do policial desde o início das negociações, e que ele mandou um helicóptero trazer as duas irmãs de Wesley para Salvador, ainda no domingo, para ajudar a convencer o PM a se entregar, mas que não houve tempo. Quando a aeronave estava pousando o tiroteio acontecia no Farol da Barra.
O comandante contou que uma das estratégias era tentar vencer o soldado pelo cansaço, mas que isso não foi possível porque ele atacou os militares que tentavam a negociação. Os primeiros tiros foram dados em regiões de imobilização, como pernas e braços, mas que o PM continou atirando mesmo depois de cair no chão. Sobre a ação do Bope, o comandante-geral explicou que não tinha como prever o que poderia ter acontecido caso os policiais não tivessem reagido aos disparos feitos por Wesley contra eles.
Já maioria da corporação fala em execução e reclamam da forma que foi conduzida as negociações, alegam que foi uma negociação muito rápida e sobre pressão. ”A negociação coagindo o soldado não ajudou em nada, pelo contrario, deixou o soldado ainda mais assustado. Quando é negociação com bandido leva até 20h, quando trata de um soldado exemplar e fardado, duram apenas três horas e termina com uma execução como aconteceu”,lamento um comandante
Palavras usadas pelo soldado antes de morrer
NÃO VOU DEIXAR,
NÃO VOU PERMITR,
QUE VIOLEM A DIGNIDADE HUMANA
DE UM TRABALAHDOR