
Uma afirmação feita pelo radialista Jota Bastos, que leito de UTI do Hospital Regional está fechado devido contaminação do coronavirus, deu um susto nas famílias da Oitava Região que em casos graves são atendidos na referida unidade de saúde. A notícia desagradável deixou também em estado de choque, pacientes e parentes de pacientes que foram atendidos no Hospital Regional nos últimos dias.
Diante da repercussão negativa devido às afirmações feita pelo radialista, que não teve os devidos cuidados, ao afirmar uma noticia que pode colocar em risco a vida de pessoas, diante de um momento grave em que o município atravessa devido o covid-19, a direção emitiu uma nota de esclarecimento.
Nota emitida pela diretora técnica responsável pelo Hospital Regional de Eunápolis (HRE), Henriene Galaes.
Uma nota emitida pela diretora técnica responsável pelo Hospital Regional de Eunápolis (HRE), Henriene Galaes, no dia de hoje, 1º, põe fim à notícia falsa divulgada em blog local afirmando que a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) havia sido fechado na tarde de ontem, 31/03.
Na oportunidade, a Nota informa que atualmente são cinco pacientes internados naquela unidade municipal de Saúde, tendo sido admitidos entre os dias 04 e 26 de março e possuindo ainda registro fotográfico de todos eles. Hoje, o HRE conta com seis leitos de UTI, logo um deles se encontra disponível, já que não se recebeu novo pedido de vaga até o momento.
Os problemas desses pacientes são de diversas naturezas, tais como acidente vascular cerebral (AVC) e pós-operatórios de pancreatite de cirurgia torácica, o que desmente ‘fake news’ induzindo à população ao erro de acreditar que todos os pacientes internados por outras causas terem sido infectados pelo coronavírus. A matéria, em nenhum trecho, apresenta ter entrado em contato com o HRE para apurar a situação, o que resulta em desserviço à sociedade ao afirmar que o fechamento por tempo indeterminado poria em risco pacientes que possam ter seu quadro clínico agravado, mesmo sendo por outros motivos, como infarto, AVC ou acidentes. Além de repudiar essa e outras freqüentes matérias depreciativas que vêm sendo publicadas na imprensa regional, a equipe da UTI do HRE se coloca à disposição para visita técnica de autoridade competente para comprovar a veracidade dos fatos. Hoje, o Município de Eunápolis visa recuperar um serviço que deve ser de excelência, mas que foi destruído ao longo dos últimos anos.
Vale lembrar que a infecção cruzada assunta também abordada no post, não tem qualquer teor de verdade ou se sustenta com alguma credibilidade. Isso porque, entre os protocolos de segurança adotados no Hospital Regional, há realização regular de testes rápidos de antígenos de todos os funcionários, e igual rigor na investigação para a admissão e alta da UTI a partir de testes específicos para a Covid-19. Outra medida estabelecida é a desinfecção programada para o final de semana, já que neste período é menor o fluxo de pessoas na Unidade.
A Nota esclarece ainda que mensagens de funcionários da UTI estão sendo distorcidas e deturpadas por agentes públicos da gestão anterior, com a finalidade de levar notícias falsas aos veículos de comunicação que, por sua vez, não se prontificam a verificar a autenticidade das informações fraudulentas antes de publicá-las. Sucom – Prefeitura de Eunápolis.
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Notícias falsas podem se espalhar mais rápido do que o próprio coronavírus e ser tão perigosas quanto ele. Muitas informações imprecisas geram pânico ou o afrouxamento das medidas de prevenção e prejudicam o combate à pandemia. Todos nos desempenhamos um papel importante em relação à nossa proteção e a do próximo.
Na ausência de uma legislação específica que defina como crime a produção e o compartilhamento de fake news no cenário de pandemia do novo coronavírus e de ameaças à saúde coletiva, autoridades passaram a enquadrar casos à Lei de Contravenções Penais, de 1941, numa tentativa de coibir a disseminação de notícias falsas relacionadas à covid-19. O dispositivo já foi utilizado em ao menos três capitais.
O texto estabelece pena de prisão de até seis meses para quem "provocar alarma, anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de produzir pânico ou tumulto". Mas, na prática, a punição, se aplicada, é restrita à prestação de serviços comunitários ou multa.
Em Belo Horizonte, a polícia recorreu ao dispositivo ao investigar o homem que fez um vídeo na Ceasa denunciando um falso desabastecimento, em março.
No Recife, em fevereiro, quando o município registrava apenas cinco casos suspeitos de covid-19 um cidadão apresentou-se nas redes como profissional da saúde e disse que a capital pernambucana tinha 61 infectados. A alegação inverídica preocupou a população, que passou a desconfiar da transparência dos gestores locais. Com base na lei de contravenções, o município pediu uma investigação policial, que comprovou a mentira.
Em Vitória, a polícia indiciou um homem que publicou vídeo no qual dizia estar infectado e que, prevendo um cenário de caos com a disseminação da doença, usaria sua arma para se defender. Mais tarde, quando a gravação já estava amplamente disseminada, ele descobriu que o resultado do exame era negativo.
O Ministério da Saúde tem manifestado, em coletivas, preocupação com o fenômeno de postagens que confundem a população. A Polícia Federal informou, no entanto, que até agora não foi acionada por órgãos federais da área da saúde a respeito de "possíveis práticas criminosas" ligadas à divulgação de fake news relacionadas à pandemia.
A notícia publicada e divulgada pelo radialista pode ser o primeiro caso a ser denunciado em Eunápolis como noticia falsa.