
Se confirmado o nome do senador Renan Calheiros (MDB-AL) como relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as ações do governo federal, dos prefeitos e governadores na pandemia do novo coronavírus, a investigação será um ato político contra o governo federal.
Visto que Renan Calheiros é o pai do governador de Alagoas, um dos governadores que será investigado pela comissão. Outra situação estranha, um dos membros o sena dor Jader Barbalho é pai do governador do Pará, que esta sendo investigado pela policia federal .
Um acordo entre os partidos e parlamentares definiu ainda que o senador Omar Aziz (PSD-AM) ficará com a presidência do colegiado e que o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) será o vice-presidente.
O emedebista, pai do governador de Alagoas, Renan Filho, é crítico do governo e tende a evitar o direcionamento dos trabalhos para a aplicação dos recursos federais nos Estados. Ele assumirá o posto com o apoio dos oposicionistas e dos senadores chamados "independentes" no colegiado.
Por outro lado, o governo ao menos não terá Randolfe Rodrigues, um dos autores do requerimento da CPI na Presidência. O parlamentar da Rede do Amapá, com quem o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer que "teria que sair na porrada", acabou sendo escolhido para a vice-presidência.
Embora ainda tenha que haver uma votação para a definição formal dos nomes, como os oposicionistas e os independentes possuem maioria absoluta no colegiado de 11 membros, a vontade definida no acordo entre eles será preservada. Formam o grupo que alinhavou o nome de Renan e Aziz nos cargos mais importantes, além dos dois, o de Eduardo Braga (MDB), Randolfe Rodrigues (Rede), Humberto Costa (PT) e Tasso Jereissati (PSDB).