
Para admitir a convocação do ex-secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, os senadores governistas exigiram contrapartida. Foi uma armadilha, e os senadores de oposição ao presidente Jair Bolsonaro e a tropa de choque de governadores caíram. O senador Marcos Rogério, líder do DEM, aprovou requerimento para investigar empresas que venderam insumos hospitalares para o Rio de Janeiro e que comprovadamente participaram de irregularidades.
O relator, senador Renan Calheiros, e o presidente da CPI, senador Omar Aziz, avaliaram e aceitaram. Só que estas empresas também venderam para o Alagoas, governada por Renan Filho, e para o Pará, do governador Helder Barbalho. A estratégia é chegar a estes governadores pelas empresas, pelo menos esta linha de investigação está garantida.
Nada no plenário da CPI é por acaso. A insistência em pontos específicos, perguntas repetidas fazem sentido para argumentar uma linha de investigação ou de justificativa para o relatório final. É como um palco de guerra onde avançar um metro já significa muito. O governo está na defensiva por erro inicial.
Os coordenadores políticos do presidente não prestaram atenção na CPI, confiaram demais na idéia de que ela não seria instalada. Com a indicação dos integrantes da comissão de forma solta, o governo ficou perigosamente em minoria e com dificuldades para se recuperar. Vai perder todas as disputas no plenário e é por isso que deve caminhar pelos contornos, negociando passo a passo, como as convocações e linha de investigação.
Os poucos governistas chiaram. Pediram reforço e ameaçaram abandonar a disputa. Só aí é que a cavalaria foi apresentada. A ministra da Secretaria de Governo e articuladora política, a deputada Flávia Arruda, foi retirada da missão. Está fora. Assumiram o comando desta guerrilha o experiente Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência e o ministro-chefe da Casa Civil e ex-coordenador político, general Luiz Eduardo Ramos. Deputado licenciado, o ministro Onyx é aliado de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro e se gaba de ter participado de todas as CPIs das últimas décadas. Já houve três reuniões para definir estratégias e o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, está sendo treinado para o depoimento do dia 19 pelo próprio Onyx. É dele também a ideia de pedir no Supremo o habeas corpus para o general Pazuello poder ficar em silêncio quando lhe convier e para uma blindagem contra prisão se o clima esquentar.
O funcionamento de uma CPI é mais de bastidores do que de platéia. A previsão é de que documentos comecem a chegar e podem municiar os senadores de oposição, mas é também tempo de reorganização dos governistas. Um dos efeitos do funcionamento da comissão parlamentar é a valorização no governo de senadores que antes estavam distantes do Palácio. A cotação está sendo modificada. Para se ter uma ideia, o presidente Jair Bolsonaro convidou o senador Marcos Rogério, líder do DEM e defensor de frente do governo na CPI, para a inauguração da ponte que liga o Acre a Rondônia.
Esta é uma obra importante para a região. A travessia do rio era feita através de balsas que, segundo as contas do presidente Bolsonaro, faturavam mais de R$ 100 mil por dia. A foto nesta inauguração ao lado do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, vale ouro para a política local. O senador Marcos Rogério está mesmo com prestígio no Palácio em virtude da sua performance no plenário disputado da CPI.
Na manhã de quarta-feira (12/05), durante a 7ª reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) cobrou ainda, a convocação do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). O senador questionou quando serão convocadas as autoridades estaduais e municipais a respeito das irregularidades na utilização dos repasses federais para o combate da Covid-19 nos Estados.
Até outubro do ano passado foram realizadas 51 operações da Polícia Federal, abrangendo 18 Estados brasileiros, tendo como alvos as prefeituras e os governos estaduais. Isso representa a movimentação de cerca de R$ 2 bilhões em recursos públicos destinados ao combate do coronavírus. “Há suspeita de superfaturamento na aquisição de insumos para prevenção de combate à pandemia, fraude nas compras de respiradores, superfaturamento em contratos de compras de máscaras, dentre outros”, disse o senador.
Marcos Sérgio destacou o caso do Amazonas, citando a operação Sangria, deflagrada em 2020 pela Policia Federal, que prendeu secretários de Estado, incluindo a então secretária de Saúde Simone Papaiz e o ex-secretário da pasta, Rodrigo Tobias. As investigações também identificaram a atuação de empresários em contratos considerados fraudulentos, do Governo do Amazonas.
“Foi pedida a prisão do próprio governador (Wilson Lima) a pedido de afastamento do cargo. Estamos diante de acusações gravíssimas. Segundo a Polícia Federal, os ilícitos envolvem desvios de recursos públicos da ordem de, no mínimo, R$ 3 milhões”, afirmou Rogério.