
BRASÍLIA - Em resposta a requerimentos dos senadores governistas Eduardo Girão (Podemos-CE) e Ciro Nogueira (PP-PI), o procurador-geral da República, Augusto Aras, encaminhou à CPI da Covid um resumo sobre as investigações em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) relacionadas as gastos dos governadores no enfrentamento à pandemia.
A investigação mais adiantada é sobre Wilson Witzel (PSC), que já deixou o cargo de governador do Rio de Janeiro após sofrer um processo de impeachment. Há ainda inquéritos dos governadores da Bahia, Rui Costa (PT), do Pará, Helder Barbalho (MDB), e do Amazonas, Wilson Lima (PSC).
Aras explicou que a maioria dos processos está sob sigilo no STJ para assegurar a efetividade das investigações. Assim, para ter acesso à documentação completa, é preciso autorização da Corte.
No caso de Witzel, conforme comunicou a PGR, o ministro Benedito Gonçalves, relator dos processos no STJ, decidiu mandá-los para a 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, onde trabalha o juiz Marcelo Bretas. Isso porque Witzel não é mais governador e, com isso, perdeu o foro privilegiado na Corte. São quatro processos. Dois deles tratam da aquisição de respiradores pulmonares. Outro apura os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Um quarto processo investiga organização criminosa. Todas as investigações são sigilosas.
Há também um inquérito sigiloso, tocado pelo ministro Og Fernandes, para investigar a "aquisição fraudada de respiradores pelo governo Rui Costa". O ministro Francisco Falcão é o relator de mais dois inquéritos sigilosos que tem Helder Barbalho como alvo. Eles tratam da aquisição de 400 ventiladores pulmonares e de 1.600 bombas de infusão "com possível envolvimento do governador do estado". Há também um inquérito público para apurar a aquisição de respiradores pelo governo do Amazonas. Outra apuração diz respeito à falta de oxigênio no estado.
Também foram listados procedimentos em estágio inicial que podem resultar em investigações contra os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
No caso de Doria, há cinco procedimentos que tratam da aquisição de respiradores e vacinas, entre outros pontos. Formalmente, são quatro notícias de fato e uma sindicância. Uma notícia de fato pode ser instaurada a partir de provocação externa ou de dentro do próprio Ministério Público. A sindicância é um tipo de ação que corre no STJ e que pode dar origem a um inquérito ou ser arquivada antes.
O procurador geral da República, Augusto Aras encaminhou ao presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) os dados encaminhados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) sobre investigações relacionadas ao governo do estado e a prefeitura de Salvador durante a pandemia do novo coronavírus.
No documentos, constam os dados encaminhados pela coordenação do Grupo de Trabalho do coronavírus do MP-BA, entre eles, os das investigações da compra de respiradores e da operação do Hospital Espanhol na Bahia. O órgão enviou a lista de todos os processos administrativos do município e do estado.
O envio pelo procurador ocorreu na última segunda-feira (17) e constam documentos juntados pelo Ministério Público desde o mês de outubro de 2020.