Drª Mayra Pinheiro diz na CPI que encontrou caos em Manaus e nega responsabilidade federal por colapso na saúde

Riro de Noticias - 26/05/2021 - 10:01


Ao relatar sua atuação na crise no Amazonas, a secretária do Ministério da Saúde Drª Mayra Pinheiro disse ter encontrado uma situação caótica quando chegou a Manaus, no dia 3 de janeiro. Aos integrantes da CPI, ela afirmou, nesta terça-feira (25/05), que nunca viu nada igual em 30 anos de carreira na medicina.

Não tinha controle e gerenciamento de crise; não havia planejamento estratégico para o enfrentamento da doença; nas unidades básicas de saúde não tínhamos triagem, os pacientes que chegavam com covid eram misturados com outros doentes. Não tinha testes para isolar as pessoas com a doença pra que não houvesse novos contaminados. E o que me causou mais estranheza é que mais de 1,2 mil agentes de saúde  foram dispensados de suas atividades — afirmou, respondendo ao relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Falta de oxigênio

Sobre a falta de oxigênio hospitalar para os pacientes, Mayra Pinheiro disse que não foi informada pelas autoridades de saúde locais sobre o risco de desabastecimento. A médica afirmou que esteve em Manaus de 3 a 5 de janeiro e disse acreditar que o ex-ministro Eduardo Pazuello só soube da escassez no dia 8.

Ainda segundo Mayra Pinheiro, não seria possível previamente calcular quanto de oxigênio seria necessário para suprir a população visto que não se tinha idéia da chegada de novos pacientes.

É possível fazer isso quando nós estamos em estado de normalidade, habitual. Eu sou intensivista, trabalho com uma UTI que tem dez leitos, eu consigo saber que cada um daqueles leitos tem que ter uma previsão de oxigênio e ar comprimido. Em Manaus, numa situação extraordinária de caos, onde não temos noção de quantos pacientes vão chegar ao hospital, é impossível fazer uma previsão de quanto será usado a mais — declarou.

A médica também deu explicações sobre a criação do aplicativo TrateCov, que teria o objetivo de auxiliar no diagnóstico de covid-19. Mayra disse que foram técnicos da secretaria da qual ela é chefe os responsáveis pelo desenvolvimento da plataforma, que é similar a outras já existentes e usadas pela medicina no Brasil e em outros países. Segundo ela, foi apresentado um protótipo, no dia 11 de janeiro, em Manaus, mas o sistema não chegou a ser lançado.

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Foi feita uma extração indevida por um jornalista, que fez uma cópia da capa inicial dessa plataforma, abrigou nas redes sociais dele e começou a fazer simulações fora de qualquer contexto epidemiológico. Isso causou prejuízos à sociedade porque essa ferramenta poderia ter salvado muitas vidas em auxílio aos testes diagnósticos. A ordem do ministro quando nós soubemos, através da imprensa, do uso indevido, foi retirar a plataforma do ar — declarou.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) quis saber por que a médica entrou com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para ter o direito de ficar calada diante da CPI. O direito de permanecer em silêncio lhe foi garantido sobre fatos ocorridos entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, período que coincide com a crise de falta de oxigênio nas UTIs de Manaus.

Mayra Pinheiro disse que a intenção dela foi apenas se proteger e para garantir que seria tratada com respeito. A questão do habeas corpus foi para pedir o respeito porque eu assisti da minha casa, os depoimentos anteriores e vi depoentes, que são simples testemunhas, sendo tratados como réus. Então, pedi a proteção, porque achei indigno o tratamento que eles receberam aqui — declarou.

Ainda indagada por Randolfe, a médica também confirmou áudio seu em que dizia a colegas que a Fiocruz tinha “um pênis na porta”. O senador rebateu dizendo que a Fiocruz é uma instituição com mais de 100 anos, das mais respeitadas do país, responsável pela produção de milhões de vacinas. Já o senador Rogério Carvalho (PT-SE) informou que o símbolo confundido com um pênis nada mais seria do que o logotipo da Fundação

Dra. Mayra Pinheiro, confirmou o áudio de 2019 que havia um pênis na porta da Fiocruz. De acordo com áudio que circulou em 2019 – o qual a Dra. Mayra Pinheiro alega ter sido vazado -, a médica opina sobre a Fundação Oswaldo Cruz. Segundo ela, a instituição era um reduto de profissionais de esquerda que envolvia nas políticas de saúde pessoas “LGBTI” e fazia menção ao Che Guevara, um revolucionário boliviano.

Já o líder do governo, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), elogiou o depoimento da médica, que a seu ver desmontou a “narrativa da oposição”. Para ele, Mayra Pinheiro confirmou que o governo fez tudo que esteve a seu alcance para combater a pandemia. Além disso, afirmou que a vacinação no país ocorre em bom ritmo e que a chance de uma “terceira onda” de covid-19 é reduzida. Também o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) elogiou a participação da médica na CPI e voltou a defender o chamado “tratamento precoce”, com o uso de hidroxicloroquina. Ele afirmou que os grandes fabricantes de vacinas financiaram um dos estudos contrários ao uso do medicamento.

Requerimentos

Em razão do inicio da ordem do dia do Plenário, o presidente da CPI, Omar Aziz teve que novamente encerrar a reunião da CPI mais cedo. Ainda havia nove senadores inscritos para falar. A comissão se reunirá novamente nesta quarta-feira (25), às 9h30, para deliberar sobre 402 requerimentos que tem em pauta.

FONTE: Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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