
EUNÁPOLIS - Depois de conseguir escapar de dois atentados de morte, o ex-servidor público da Polícia Civil de Teixeira de Freitas, Arivaldo Pereira da Assunção, o “Gambiarra”, 41 anos, foi abatido à balas por volta das 06h desta sexta-feira (13), na zona norte da cidade de Eunápolis. Segundo o delegado chefe da 23ª Coordenadoria Regional da Polícia Civil de Eunápolis, Dr. Evy Patenostro, o crime ocorreu às margens da estrada vicinal que dá acesso ao bairro Alecrim-I, nas proximidades da subestação da Chesf. Moradores teriam dito a policiais militares que no momento dos disparos teriam avistado um carro branco e uma motocicleta saindo do local da execução.
“Gambiarra” estava em uma lista para morrer na série que se desencadeou a partir da morte do empresário e ex-deputado estadual, Mauricio Cotrim Guimarães, 59 anos, morto em 14 de setembro de 2007, em Itamaraju. Em Ipiaú, “Gambiarra” era o fiel escudeiro do delegado André Luiz Serra, 42 anos, ex-coordenador regional da Polícia Civil de Teixeira de Freitas, primeiro delegado do caso Cotrim, e que foi morto com 5 tiros em via pública no início da noite de quinta-feira, do dia 29 de outubro de 2009, na cidade de Ipiaú, região sudeste da Bahia, onde era titular da Polícia Civil. Por ocasião “Gambiarra” conseguiu se livrar dos assassinos fugindo da cena do crime.
Na época o delegado André Luiz Serra foi assassinado a tiros nas proximidades da delegacia que chefiava e fora abatido por dois homens que chegaram numa uma Moto Honda Bros, cor vermelha, numa praça localizada no centro de Ipiaú, proximidades da agência dos Correios. André Serra estava a bordo de seu veículo Fiat/Pálio, cor cinza, quando havia parado na praça para comer um acarajé e o servidor da delegacia que lhe acompanhava, conhecido por “Gambiarra”, havia se afastado do local para fumar e também se encontrava com a arma dentro do carro, momento que foi abordado pelos assassinos que lhe dispararam 5 tiros. Quatro disparos teriam acertado André Luiz Serra, que estava sentado sobre um banco móvel, dois tiros lhe atingiram o lado direito do abdômen e dois o rosto, tendo, o delegado, morte instantânea no local do delito.
Na terça-feira, dia 2 de março de 2010, o servidor Arivaldo Pereira da Assunção, o “Gambiarra”, 40 anos, acabou sendo encurralado novamente, sofrendo um atentado por volta das 16h, em plena Avenida Presidente Getúlio Vargas em Teixeira de Freitas, quando teria ido buscar o seu filho na Escola Adventista. O servidor “Gambiarra”, naquela ocasião, levou aproximadamente 10 tiros dos dois homens que caminharam em sua direção e após os disparos fugiram em um Fiat/Pálio, cor cinza, tomado de assalto na noite de sexta-feira do dia 26 de fevereiro de 2010, na cidade de Itapetinga, cidade do sudoeste da Bahia.
Na época, quando percebeu que um dos homens lhe atiraria, ele começou a gritar como policial em operação como se estivesse advertindo alguém em ação ilícita numa tentativa de apavorar os matadores. Apenas um tiro lhe acertou na cintura quase de raspão, com entrada e saída sem afetar nenhum órgão vital. “Gambiarra” teve sua mão direita queimada de pólvora, porque no início da ação dos pistoleiros, ele ainda conseguiu bater com a mão em uma das armas dos bandidos.
Na manhã desta sexta-feira (13), “Gambiarra” foi assassinado a tiros numa estrada vicinal de acesso ao bairro Alecrim-I, na cidade de Eunápolis. A polícia suspeita que “Gambiarra”, que ainda morava em Teixeira de Freitas, tenha sido apreendido e levado até o local da sua execução. Ele trabalhou com vários delegados em Teixeira de Freitas, mas foi bastante prestigiado pelo delegado André Luiz Serra, diante do potencial que possuía para investigar e no “Caso Cotrim” foi uma das principais peças usadas nas investigações pelo delegado especial do caso na ocasião (André Serra) e pelo próprio caso, acabou sendo a 11ª pessoa a ser morta.
Esta onda de matança começou depois da morte do empresário e ex-deputado estadual Maurício Cotrim Guimarães, 59 anos na época, assassinado às 17h30min de sexta-feira (14/09/2007), quanto fazia caminhada ao lado de outras tantas pessoas na Praça Dois de Julho, no centro da cidade de Itamaraju, após dois homens sobre uma moto terem parado no local e feito os disparos fatais. Foram ainda assassinados no início da noite de terça-feira do dia 18 de novembro de 2009, o comerciante Estácio Silva Gomes, 53 anos, que colaborou com o delegado especial nas investigações, e o seu filho João Paulo Gomes Silva, 26 anos, em frente à loja da família em plena Avenida Presidente Getúlio Vargas, na cidade de Teixeira de Freitas. A viúva de Cotrim, Maria Angelina Nogueira Guimarães, a “Regina Cotrim”, 54 anos, foi executada com 5 tiros por volta das 22h25min de sábado do dia 28 de fevereiro de 2009, na Avenida Presidente Getúlio Vargas, região comercial do bairro Monte Castelo, em Teixeira de Freitas.
Além do assassinato do paraibano Antonio Medeiros, o “Alemão”, 50 anos, ocorrido por volta das 22h de domingo do dia 1º de fevereiro de 2009, no bairro Moisés Reis, em Eunápolis. Ele era acusado de matar por encomenda, a serviço de Ricardo Alagoano, e teria participado da execução de Cotrim, e no mesmo dia, foi assassinado, também Eunápolis, a pessoa de Paulo Pereira da Assunção, 38 anos, (irmão de Gambiarra), e além do assassinato do delegado André Luiz Serra, no dia 29 de outubro de 2009, em Ipiaú, foi morto também, Floro Calheiros Barbosa, o “Ricardo Alagoano”, 45 anos, apontado como mandante da morte do ex-deputado e do delegado Serra, quando morreram também o seu sobrinho Lucas Calheiros Barbosa, 22 anos, e o alagoano Rafael Costa Borges, 20 anos, em confronto com policiais militares da Bahia no município de Barreiras, no dia 10 de abril de 2011, sendo que no dia anterior na cidade de Gurupi, estado do Tocantins, a Polícia Federal já teria ferido a tiros o filho de Floro Calheiros, o jovem Fábio Calheiros Barbosa, 23 anos.