
A relação do grupo político da ministra do Turismo, Daniela Carneiro, e de seu marido, o prefeito de Belford Roxo (RJ), Waguinho, com o ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, o "Jura", abriu a primeira crise no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além do constrangimento político à gestão petista, também expôs um racha do União Brasil no apoio ao Palácio do Planalto.
Filiados ao União Brasil, Daniela e Waguinho têm uma relação próxima com "Jura", condenado e preso sob acusação de ter chefiado uma milícia na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. O ex-policial militar foi citado no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), em 2008. O colegiado foi presidido pelo então deputado estadual Marcelo Freixo, atual presidente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur).
A proximidade com o miliciano, preso desde 2009 na Cadeia Pública Constantino Cokotós, em Niterói (RJ), gerou mal-estar no União Brasil. Internamente, algumas lideranças do partido até defendem uma pública desassociarão ao governo Lula. O movimento já é feito por alguns parlamentares.
O deputado federal Danilo Forte (União Brasil-CE) aponta que nem Daniela, nem o ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil), e o da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes (atualmente filiado ao PDT, mas que migrará para o UB por acordo), são indicação da bancada do partido.
"O processo da indicação dos ditos representantes da bancada do União Brasil se deu de uma forma em que o colegiado não tomou nenhuma decisão. Não foi ouvido a bancada, o diretório nacional, não foi feita nenhuma convenção para decidir a participação ou não de membros do partido no primeiro escalão do governo federal", disse Forte em entrevista na terça-feira (3) à rádio CBN.
"Isso foi uma coisa pessoal, individual, e acho que isso vai ser rediscutido no momento certo. Acho que o que a gente tem que discutir primeiro com o governo é uma pauta política para o país", acrescentou.