Lula dá tiro no pé ao partir para a briga com o chefe do Banco Central.

Giro de Noticias - 07/02/2023 - 08:39


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a atacar a política monetária conduzida pelo Banco Central (BC), e a independência da autoridade monetária, em discurso encerrado nesta segunda-feira, 6, no Rio. Segundo Lula, não “tem explicação” para a taxa básica de juros (a Selic, hoje em 13,75% ao ano) estar em “13,5%” (sic).

Lula é o presidente da República. Não deveria entrar em briga que não pode ganhar. Ao atacar Roberto Campos Neto, arrisca-se a escancarar a falta de poderes de seu governo nessa luta contra o Banco Central.

O chefe da instituição é independente, está livre dos assédios petistas, mas Lula tem, se quiser, órgãos a recorrer, caso queira mudar as regras do jogo. A derrubada da atual política que protege o trabalho de Campos Neto pode ser feita via Congresso, mas aí Lula teria que possuir maioria entre senadores e deputados para fazer qualquer coisa. Hoje, sabe que não tem.

A questão dos juros também pode ser tratada em órgãos específicos, mas não é esse o caso — até porque novamente o petismo não tem poderes para impor seus desejos nessa área. Lula sai ao ataque contra o chefe do BC para criar uma narrativa. Se algo der errado na economia adiante, a culpa será de quem? Lula vai atribuir ao BC todos seus insucessos.

Aliados de Campo Neto na equipe econômica previam o ataque petista contra o chefe do BC — na primeira semana de janeiro, o Radar mostrou essa avaliação. Não imaginavam, porém, que a artilharia seria utilizada já no início do segundo mês de governo e diretamente pelo presidente. Politicamente, é um tiro no pé.

 “O problema não é de banco independente”, afirmou Lula, em discurso na cerimônia de posse do novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante. “O problema é que este País tem uma cultura de juro alto”, completou o presidente, que tratou da política monetária em dois momentos do discurso.

Lula citou especificamente a “carta” do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, numa referência ao comunicado da decisão da semana passada sobre a manutenção da Selic em 13,75% ao ano, para sustentar que não haveria motivos para os juros básicos estarem nos níveis atuais.

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