A segunda assembléia entre policiais grevistas, realizada no Ginásio do Sindicato dos Bancários, após a desocupação da Assembléia Legislativa, acabou sem grandes novidades. Os participantes decidiram, na noite desta sexta-feira (10) que a greve continua e que o seu desfecho ainda é imprevisível.
A medida se contrapõe ao posicionamento do comandante da Polícia Militar (PM), coronel Alfredo Castro, que determinou, na manhã desta sexta, que os PMs retornassem ao trabalho. “A partir de hoje a ausência ao trabalho não vai ser mais vista como adesão ao movimento grevista. A ausência está sendo vista como uma falta ao serviço, que, se confirmada, será punida com o rigor da lei”, alertou.
De acordo com coronel Alfredo, os policiais faltosos podem ter o dia não trabalhado descontado do salário ou até mesmo ser presos em unidade militar. Uma nova assembléia, entre os grevistas, foi marcada para a tarde de sábado (11), às 16h, no Ginásio do Sindicato dos Bancários, no bairro dos Aflitos.
De acordo com o porta-voz dos policiais militares grevistas, Ivan Leite, caso um consenso ente PMs e grevistas não seja tomado, as assembléias devem ser realizadas a cada dois dias.
O comandante disse ainda que as negociações continuam abertas, mas o governo não apresentou nenhuma nova proposta. De acordo com ele, os PMs já vão receber 70% da diferença da GAP III para a GAP IV.
O presidente da Associação dos Policiais, Bombeiros e de seus Familiares (Aspra), o ex-PM Marco Prisco, e o outro líder do movimento, o ex-cabo Antônio Paulo Angelini, estão detidos em celas isoladas na Cadeia Pública de Salvador, de acordo com o advogado deles, Rogério Andrade.
O advogado disse que Prisco está tranqüilo e confiante que, com a divulgação na íntegra das ligações grampeadas, provem que ele não articulou atos ilícitos. O ex-PM também acredita que a decisão dele de se entregar pode contribuir para sua soltura.
O comandante, coronel Alfredo Castro afirmou nesta sexta (10) que o Carnaval está mantido em Salvador. Segundo ele, 3.200 homens farão a segurança nas ruas, entre policiais de Salvador e das cidades vizinhas.
Já no Rio de Janeiro sobe para 17 o número de detidos. O coronel da reserva Adalberto de Souza Rabello se entregou no começo da noite de sexta. Ele é considerado um dos líderes do movimento.
Dentre os presos, dez foram detidos por liderar a greve. Desses, oito estão no presídio de Bangu 1. Ainda não há definição de onde ficará presa a única mulher do grupo. Os outros sete PMs estão presos administrativamente por protestar e se recusar a patrulhar as ruas.
Enquanto o governador Jaques Wagner (PT) persiste em não negociar com os grevistas e acabar com a greve, o número de homicídios continua crescendo na Bahia. Foram registrados somente na região metropolitana de Salvador, até esta sexta-feira (10), 155 homicídios desde o início da greve da Polícia Militar, na noite de terça-feira, dia 31de janeiro.
Informações: A Tarde