PAU BRASIL - O clima esquenta entre índios Pataxós hã-hã-hães e fazendeiros neste sábado (21) na região do Rio Pardo, em Pau Brasil (a 551 km de Salvador), sul da Bahia. O cacique Nailton Muniz diz que os fazendeiros retomaram a posse de duas fazendas durante esta madrugada. Ele alega que foi usada violência na desocupação e pistoleiros teriam atirado contra os índios que ocupavam as terras desde o último domingo (15).
De acordo com a equipe de reportagem da TV Aratu, índios e jagunços armados entraram em conflito, contudo, ainda não há confirmação oficial das autoridades. A confusão teria começado porque os índios tentaram invadir mais uma propriedade, que fica localiza a cerca de 20 km da base montada pela imprensa na região. Os jagunços, contratados para impedir o avanço dos índios, responderam com tiros à tentativa de ocupação.
O clima é tenso no sul do Estado desde o último dia 15 deste mês, quando os índios invadiram cinco propriedades na região. Hoje, eles já ocupam 68 fazendas. Eles protestam contra a demora da Justiça em definir a quem pertence a posse das terras, distribuídas em uma extensão de 54 mil hectares. O caso está no Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda não estipulou um prazo para a resolução da questão.
O cacique Nailton alega que alguns indígenas estariam desaparecidos desde a ação desta madrugada, já os fazendeiros dizem que empregados foram mortos durante confronto com indígenas. A Polícia Federal apura as informações, mas as mortes ainda não foram confirmadas.
Os fazendeiros também acusam os índios de terem incendiado um caminhão que transportava trabalhadores por volta de 6h desta manhã. O cacique nega a acusação, mas alega que o veículo transportava pistoleiros.
Policiais federais chegaram em Pau Brasil por volta de 10h30 deste sábado e conversaram com lideranças indígenas. Em seguida, eles foram para as fazendas onde teriam acontecido os confrontos desta madrugada.
Eles também apuram a denúncia de que o índio Ivanido dos Santos, 29 anos, foi baleado quando pescava na área de uma fazenda não ocupada por indígenas em Pau Brasil.