Em interrogatório cheio de dúvidas e com muitas incerteza, Cid nega ter visto Bolsonaro incentivar atos de 8 de janeiro.

Giro de Noticias - 09/06/2025 - 08:08


O STF começou a realizar, nesta segunda (9), os interrogatórios dos réus do chamado "núcleo crucial" da ação penal que apura uma tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022. Mauro Cid é o primeiro a ser ouvido.

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal, o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, afirmou que não se lembra quem enviou o anexo da suposta ‘minuta do golpe’. A declaração foi dada após questionamento feito por Celso Vilardi, advogado de Bolsonaro.

Mauro Cid, afirmou que não se recorda de detalhes específicos sobre quem enviou um anexo da suposta "minuta do golpe". Ele também esclareceu mensagens apagadas e o contexto de conversas com aliados, mencionando um receio de que fossem mal interpretadas.

Cid também disse que havia uma expectativa de confirmação de fraude nas urnas em 2022. Ele também se referiu a reuniões investigadas como marcadas por "muita bravata" e sem atas. No entanto, em outro trecho do depoimento, Cid não se recordou do contexto exato e da entonação de uma fala mencionada em seu depoimento à Polícia Federal.

A postura de Mauro Cid parece demonstrar uma ausência de vontade de revelar coisas sabidas”, ou ele não sabia de nada e tem criado narrativas para se livrar da prisão. Em quase cem por cento dos questionamentos ele não se lembrava de nomes, nem horário e nem data.

A Polícia Federal (PF) já havia apontado diversas contradições nos depoimentos de Mauro Cid, levando à decisão de grampear seus telefones por parte do ministro Alexandre de Moraes. As contradições surgiram tanto em suas delações premiadas quanto em seus depoimentos posteriores.

Em um dos exemplos, Cid negou que Bolsonaro tivesse dito "se não houvesse fraude não haveria nada", mas admitiu ter ouvido do ex-presidente que "só agiria dentro das quatro linhas da Constituição". Além disso, Cid negou ter ouvido conversas sobre prisão ou execução de autoridades com o general Braga Netto.

Em resumo, as contradições encontradas nos depoimentos de Mauro Cid são um ponto crucial na investigação da trama golpista e podem ter um impacto significativo na validação de sua delação.

Durante interrogatório, o advogado de Bolsonaro questionou se Cid, durante o período em que trabalhou no Palácio do Alvorada, ouviu alguma fala do ex-presidente que indicasse incentivo ou conhecimento prévio das manifestações que invadiram a sede dos Três Poderes. Mauro Cid respondeu apenas “não senhor”.

Ao todo ainda serão ouvidos oito réus, são eles:

Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;

Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do GSI;

Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;

Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;

e Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e vice de Bolsonaro na eleição em 2022.

WhatsApp Giro de Notícias (73) 98118-9627
Adicione nosso número, envie-nos a sua sugestão, fotos ou vídeos.


Compartilhe:

COMENTÁRIOS

Nome:

Texto:

Máximo de caracteres permitidos 500/