Duas ministras de Dilma Rousseff colocaram ontem o Planalto no centro do debate sobre a permanência do deputado pastor Marco Feliciano (PSG-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
Uma moção aprovada pelo Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial e assinada pela ministra Luiza Bairros, publicada no Diário Oficial da União, afirma que a indicação do pastor para o cargo contraria os propósitos da referida comissão porque a trajetória e a postura do deputado em relação à população LGBT e à população negra se revelam preconceituosas e excludentes, causando insatisfação aos mais diversos segmentos sociais. No texto ainda se define como “inaceitável” a permanência dele na presidência.
Em visita a uma exposição sobre holocausto na Câmara, a ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, reforçou as críticas. “É lamentável que a cada dia nos deparamos com mais um pronunciamento, mais uma intervenção que incita o ódio, o preconceito, algo que já ultrapassa as barreiras da comissão na Câmara e diz respeito a todos”, disse a ministra. “A Câmara certamente encontrará uma solução ou o próprio Ministério Público porque incitar a violência e o ódio é atitude ilegal, inconstitucional e as autoridades também estão sujeitas à lei”, afirmou.
As manifestações ocorrem no momento em que Dilma passa a ser pressionada nas redes sociais e atos públicos a se posicionar em relação a Feliciano. No Congresso, Feliciano ouvirá hoje de líderes partidários um novo pedido para que renuncie. O deputado, porém, tem afirmado que não deixará o posto, para o qual foi eleito após um acordo entre os mesmos partidos que hoje pedem para ele sair. Feliciano diz ainda que vai defender a tese segundo a qual a comissão trabalha normalmente os trabalhos são conduzidos de portas fechadas para evitar manifestações.