
Pessoas ligadas à diocese de Caçador informaram que Eccel decidiu deixar o cargo para cuidar da saúde debilitada. Ele teve câncer, retirado em 2003.
Eccel apoiou publicamente a candidatura de Dilma Rousseff (PT) para a Presidência.
Segundo estas mesmas pessoas, que pediram para não ser identificadas, seu pedido de renúncia foi enviado ao Vaticano em junho e nada tem a ver com as eleições.
De acordo com nota do Vaticano, a renúncia foi acatada "em conformidade com o artigo 401, parágrafo 2, do Código de Direito Canônico". Esse artigo prevê abdicar do cargo "por motivos de saúde ou por outra causa grave".
Ao longo da campanha eleitoral, setores da Igreja Católica criticaram Dilma por suas posições sobre o aborto, consideradas ambíguas.
Eccel foi na contramão e publicou textos favoráveis à candidata petista. "Por que estão jogando pedras só na Dilma?", questionou em artigo do mês passado.
Alvo de católicos e evangélicos, receosos de que ela aprovaria a descriminalização do aborto, a petista recuou antes do segundo turno e se comprometeu a não modificar a lei.
Durante a campanha eleitoral, o bispo de Guarulhos (SP), dom Luiz Gonzaga Bergonzini, divulgou um manifesto em que chamou Dilma de "a candidata da morte".
Três dias antes do segundo turno, Bento 16 disse, ao receber bispos brasileiros, que os sacerdotes tinham "o dever de emitir um julgamento moral, mesmo na política", quando "os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem".
As declarações foram recebidas no Brasil como um apoio implícito ao candidato José Serra (PSDB).