Ibama tem apenas três barcos para fiscalizar 7.300 km do litoral brasileiro

redação - 08/06/2015 - 07:51


Belo  Horizonte -Principal órgão de controle ambiental do governo federal, o Ibama tem apenas três barcos em atividade para fiscalizar os mais de 7.300 km do litoral brasileiro.

Duas lanchas infláveis estão em Rio Grande (RS), conhecida região de pesca predatória, e outra embarcação opera em Fortaleza. O número foi obtido por meio da Lei de Acesso à Informação.

O órgão tem ainda cerca de 200 pequenas embarcações para uso em rios, mas diz no ofício que a maioria delas tem motor sem condição de uso.

Em documento que justifica o aluguel de barcos tripulados, aponta que outro problema é a falta de pessoal habilitado para operá-las.

Resultado: para atuar no mar, os fiscais dependem de caronas da Marinha, da Polícia Federal e do ICMBio (Instituto Chico Mendes), autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente que fomenta a pesquisa e a preservação da biodiversidade e tem poder de polícia ambiental.

As operações são combinadas em épocas de defeso, quando a pesca de determinadas espécies é ilegal, e não são regulares. De janeiro a março deste ano, por exemplo, houve uma única operação com a Marinha em São Paulo e quatro no Ceará.

"Trabalho há 37 anos nessa causa e poucas vezes vi maior descaso com o oceano", diz o biólogo José Truda, que atua em entidades contrárias à pesca de tubarão.

Ele cita como exemplo o arquipélago de Fernando de Noronha (PE) e diz que a pesca predatória na região chegou a um nível "nunca visto".

Quando não conta com agentes do instituto, a Marinha apreende embarcações de infratores ambientais e as leva até a costa, onde o Ibama faz a autuação.

Uma servidora do Ibama no Amapá diz que o órgão "não tem estrutura" para agir no oceano e sofre até cobranças da Guiana por conta da pesca ilegal na fronteira.

Em setembro passado, o Tribunal de Justiça doou uma lancha para o escritório do Estado, mas ela não está em operação por falta de peças.

Desde 2012, para cortar gastos, o Ibama fechou ao menos 20 escritórios nos 17 Estados litorâneos. Também diminuiu a atuação em áreas onde entidades estaduais e municipais podem agir.

Hoje, a principal ferramenta do órgão é um sistema de rastreamento de barcos pesqueiros, que só funciona para embarcações com mais de 15 metros de comprimento.

De janeiro a março deste ano, o Ibama aplicou 593 autos de infração por pesca, o equivalente a R$ 23 milhões em multas. Porém, relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) indica que, de 2005 a 2013, o órgão arrecadou apenas 0,5% do valor.

As entidades ambientais também apontam a falta de dados sobre a pesca como um entrave ao combate a ações ilegais. Desde 2011, o Ministério da Pesca não publica estatísticas sobre a produção de pescado nacional –a última coleta de dados é de 2009.

Monica Peres, diretora da ONG Oceana, afirma que a falta de monitoramento causa prejuízos ao setor.

"O derramamento de oferta ilegal pressiona o preço de mercado para baixo, quebrando quem pesca legalmente", afirma.

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COMENTÁRIOS

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tem que fiscalisar esses pescadoores aqui de barravelha priiguisosos ta comendo as tartaruga todas aqui com priguica de ir pescarem alto mar foce sso para comer tudo bem mas eles estao ttrspotranddo para fora fora as outras coisa eem legal que eles estar fazzendo
indio barravelha