

O peemedebista tentou entregar sua carta de demissão ao ministro Jaques Wagner (Casa Civil) na noite desta quinta-feira (3), mas, segundo aliados, Padilha não foi nem mesmo recebido pelo braço direito da presidente Dilma Rousseff.
Segundo a Folha apurou, Padilha então protocolou a carta de demissão no Palácio do Planalto –amigos do ministro dizem que a decisão é irrevogável.
De acordo com aliados do ministro da Aviação Civil, o motivo oficial para a demissão foi uma nomeação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Padilha queria indicar um aliado, mas depois de fazê-lo, viu a Casa Civil revogar a nomeação após reclamações.
Na avaliação dessa ala da legenda, a saída de Henrique Alves seria um movimento coerente com a ligação pessoal que o ministro e o vice-presidente têm há anos.
Aliados do vice-presidente afirmam que as conversas com Henrique Alves devem acontecer ao longo do dia. O ministro não está em Brasília. Embarcou logo cedo para Natal.
O presidente do PT de São Paulo, Emidio de Souza, afirmou que a saída do ministro "não é um bom sinal" para o governo Dilma.
Na avaliação de petistas, Padilha sai para articular em favor do impeachment para que o vice-presidente, Michel Temer, assuma o cargo. Seu papel seria negociar com partidos cargos num eventual governo de Temer.
O assunto caiu como uma bomba, nesta sexta, numa reunião da maior corrente política do PT: a CNB. Durante a reunião foram feitos informes com notícias discrepantes. Houve quem dissesse que a saída de Padilha não está confirmada.
"Não é um bom sinal. Mas é o que temos para o almoço", disse Emidio, ao deixar a reunião.
O líder do PT na Câmara, Sibá Machado, afirmou que entende a saída de Eliseu Padilha como decisão pessoal. "Temos uma aliança com o PMDB. Não há decisão do partido".
Ele comparou o momento às crises que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas e ao golpe de 1964. "O que está sendo colocado é o pior da história política do Brasil. Aconteceu com Getúlio, com o João Goulart e querem repetir com Dilma", disse.