
São Paulo - A ex-senadora Marina Silva anunciou a desfiliação do Partido Verde (PV), partido em que disputou as eleições em 2010 e conseguiu quase 20 milhões de votos. O anúncio foi feito oficialmente nesta quinta-feira, em São Paulo, no evento chamado "Encontro para a Nova política". Durante o evento, transmitido ao vivo na internet, outros políticos aliados de Marina também se desfilaram, e divulgaram a criação de um novo movimento "pelo verde e para a vida", que deve ser lançado em setembro.
Em seu discurso, Marina disse que o seu período no PV serviu para "sentir até que ponto o sistema político brasileiro está empedernido e sem capacidade de se abrir para a sua própria inovação". A ex-ministra do Meio Ambiente disse que não quer continuar em um partido que não faz crítica ao atual sistema político brasileiro. "Chegou hora de acreditarmos que vale a pena criarmos um movimento para que o Brasil vá além e coloque em prática tudo aquilo que a sociedade aprendeu nas últimas décadas".
Durante
o evento, os principais nomes ligados a Marina discursaram, como Alfredo
Sirkis, Guilherme Leal, Ricardo Young e João Paulo Capobianco, entre
outros. Os aliados de Marina falaram sobre a criação de uma nova política, por
meio de um movimento que busque espaços fora de uma estrutura partidária, e
fizeram críticas veladas ao PV, à "política tradicional" e ao
"risco do poder", apesar de ressaltarem que o movimento não é uma
"negativa ao PV".
Sirkis, um dos fundadores do PV e o político que convidou Marina ao partido,
deu o tom das críticas: a dificuldade de conseguir acesso ao poder dentro
partido. "O PV não foi capaz de dar perspectiva aos 20 milhões de votos de
Marina. É necessário outro instrumento, um movimento que possa de fato incorporar
esses eleitores. Estamos pensando em um movimento em rede, com elaboração de
teses, propostas, e eleições de pessoas para cargos de coordenação que sejam de
fato democráticas". Sirkis ainda não deixa o partido, por causa da questão
de fidelidade partidária, mas se licenciou do PV.
A saída de Marina foi adiantada há duas semanas. Segundo
reportagem de ÉPOCA, o racha entre Marina e o PV começou ainda na campanha
eleitoral de 2010. Marina e José Luiz Penna, presidente do PV há mais de dez
anos, discordaram em quase tudo durante as eleições. Além disso, a ex-ministra
entrou em choque com algumas bandeiras do partido por causa de sua agenda
religiosa.
O PV divulgou nesta quinta-feira nota rebatendo as críticas de que não existe democracia interna no partido.
"Não nos recusamos a aperfeiçoar as regras que moldam o funcionamento
de nosso partido. Estão programadas atualizações programáticas que ocorrerão
como decorrência de amplo debate interno e com a sociedade, não da imposição de
grupos. No estatuto do Partido Verde não se apresentam quaisquer óbices à
participação dos filiados nos processos internos de tomada de decisão. Mas não
afastaremos a necessidade da discussão democrática, abrindo portas à hegemonia
de grupos".
Segundo a nota, o PV é um partido de idéias, e não de "messianismo",
e passa hoje pela sua primeira "crise de crescimento", mas muito
dessa crise provem de falsas polêmicas estimuladas pela imprensa. "O
Partido Verde lastima essa falsa polêmica artificialmente inflada sobre a falta
de democracia interna que tem gerado distorções injustas na imprensa
brasileira".