Preso em ação da Lava Jato, Bendine teve ajuda de governo da Bahia em venda da Gaspetro

Giro de Noticias - 31/07/2017 - 07:06


O ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, foi preso na manhã desta quinta-feira (27) em Sorocaba (SP), durante a 42ª fase da Operação Lava Jato. Além de Bendine, outras duas pessoas foram presas: os irmãos André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior, sócios da agência de publicidade Arcos Propaganda, que foram presos em Recife (PE).

A prisão do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, pode trazer à tona a venda de 49% da Gaspetro para a japonesa Mitsui. A operação, realizada em dezembro de 2015 pelo então presidente da Petrobras, contou com ajuda do governador da Bahia, Rui Costa (PT).

Segundo o site Poder 360, o governo baiano se sentiu prejudicado com o anúncio da intenção de venda da subsidiária da Petrobras, em outubro do mesmo ano, já que a Gaspetro tem participação na Bahiagás. Com a incorporação da Gaspetro à Mitsui, o equilíbrio acionário e de capital da empresa estadual - que tem ações divididas entre o governo da Bahia, a Gaspetro e a Bahia Participações Ltda. - ficaria comprometido.

O governo então ingressou com um pedido de suspensão de venda das ações e conseguiu que a negociação fosse suspensa por meio de decisão liminar provisória concedida pela Justiça. Em dezembro de 2015, o Estado da Bahia desistiu formalmente da ação.

Em carta de intenções endereçada a Rui Costa no mesmo dia, Aldemir Bendine reforçou o compromisso da estatal com o Estado e falou na "possibilidade de realização de novos esforços conjuntos".

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Bendine, ainda no comando do Banco do Brasil, pediu R$ 17 milhões à Odebrecht em troca de rolar uma dívida da empresa com a instituição. Ele, no entanto, não recebeu o valor. Às vésperas de assumir a Petrobras, ele pediu mais R$ 3 milhões para não prejudicar os contratos da estatal com a companhia – desta vez, ele recebeu o repasse, em 2015.

À época, Bendine foi nomeado pela então presidente Dilma Rousseff, e tinha entre suas tarefas acabar com a corrupção na petroleira – os esquemas na estatal deram origem à Lava Jato. Delatores da Odebrecht, no entanto, afirmam que ele continuou recebendo dinheiro na Petrobras.

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