Escândalo bilionário no Banco Master revela conexões entre poder financeiro e político

Giro de Noticias - 15/01/2026 - 10:02


A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, revelou um amplo esquema de fraude financeira envolvendo o Banco Master e seu ex-CEO, Daniel Vorcaro, conhecido como “banqueiro do Centrão”. Segundo as investigações, a instituição criou ativos fictícios que inflaram seu patrimônio em cerca de R$ 12 bilhões, ocultando uma situação de insolvência.

Em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos (IHU), o economista André Luis Campedelli explicou que o banco montava carteiras de títulos falsos, com suposto bom rating, e as vendia a outras instituições financeiras. A promessa era trocá-las futuramente por ativos reais, o que permitiu retirar ativos problemáticos do balanço e inflar artificialmente o patrimônio. Na prática, o banco não tinha recursos suficientes para honrar seus compromissos com clientes e credores.

Campedelli destaca que Vorcaro mantinha forte ligação com o meio político, atuando como financiador de campanhas e mantendo relações próximas com partidos do Centrão, como PP, União Brasil e Republicanos. Essa rede de interesses, segundo o economista, ajudou a sustentar o funcionamento do banco apesar de sua fragilidade financeira.

A crise se agravou com a oferta agressiva de CDBs com rendimentos elevados, o que pode ter facilitado a entrada de recursos de origem duvidosa, inclusive ligados ao crime organizado. O especialista afirma que, diante da necessidade urgente de captação, o banco teria negligenciado a verificação da origem do dinheiro.

Outro ponto crítico foi a tentativa de socorro ao Banco Master por meio do Banco de Brasília (BRB), envolvendo recursos públicos aplicados por estados e municípios, inclusive fundos de previdência. Campedelli cita o caso do Rio de Janeiro, que teria investido cerca de R$ 1 bilhão da previdência dos servidores, gerando risco direto às aposentadorias futuras.

Para o economista, o desfecho do caso representa um “assalto” ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deverá enfrentar um volume recorde de resgates. Ele também critica a atuação de políticos que tentaram ampliar a cobertura do fundo durante a crise.

Campedelli avalia que o escândalo do Banco Master reflete a permanência de uma elite econômica que preserva privilégios históricos, aprofundando desigualdades e transferindo prejuízos à sociedade.

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