Júri de ex-prefeito acusado de mandar matar Rielson Lima é adiado após impasse sobre provas em Eunápolis

Giro de Noticias - 06/04/2026 - 19:02


O júri popular do ex-prefeito de Itagimirim, Rogério Andrade, acusado de ser o mandante do assassinato do então prefeito Rielson Lima, foi suspenso na manhã desta segunda-feira (6), no Fórum de Eunápolis, apenas duas horas após o início. Considerado um dos julgamentos mais aguardados do extremo sul da Bahia, o caso mobiliza moradores e familiares das partes envolvidas, quase 12 anos após o crime.

Julgamento adiado após questionamentos

A sessão foi interrompida e posteriormente adiada após questionamentos levantados pela defesa dos acusados. De acordo com o promotor de Justiça Igor Assunção, foram apresentados nove pontos durante a fase processual, sendo que um deles exigiu análise mais aprofundada por parte da Justiça.

O principal impasse envolve a ausência de materiais considerados importantes para o processo, como áudios e vídeos citados em um procedimento investigativo, mas que não foram disponibilizados nem às partes nem ao Judiciário. A situação pode configurar cerceamento de defesa, o que comprometeria a validade do julgamento.

Diante disso, a Justiça decidiu pelo adiamento da sessão, que deverá ser remarcada após a regularização das provas.

Crime que chocou a região

O assassinato de Rielson Lima ocorreu em 29 de julho de 2014, quando ele tinha 51 anos. O então prefeito foi morto a tiros em uma praça pública no centro de Itagimirim, atingido por quatro disparos. O crime gerou grande comoção e repercussão em toda a região.

Na época, Rogério Andrade ocupava o cargo de vice-prefeito e assumiu a gestão do município após a morte de Rielson, permanecendo no posto por cerca de dois anos. Em 2016, tentou a reeleição, mas não foi eleito.

Acusações e motivação

Segundo as investigações conduzidas pelo delegado Moisés Damasceno, Rogério Andrade é apontado como o mandante do crime, que teria sido motivado por disputas políticas e financeiras.

O Ministério Público da Bahia sustenta que houve um rompimento entre o prefeito e o então vice após divergências relacionadas a dívidas da campanha eleitoral de 2012. Ainda conforme a denúncia, Rielson teria se recusado a utilizar recursos públicos para quitar esses débitos.

O promotor Helber Luiz Batista afirma que houve inclusive uma reaproximação simulada entre os envolvidos antes do assassinato.

Outros acusados

Além de Rogério Andrade, também responde pelo crime Jamilton Neves Lopes, apontado como o executor. Já Sandro Andrade de Oliveira, também denunciado no processo, segue foragido.

Defesa nega envolvimento

A defesa do ex-prefeito nega qualquer participação no crime e afirma que ele é “absolutamente inocente”. Os advogados sustentam que não há provas que comprovem a acusação e contestam a motivação financeira apresentada pelo Ministério Público.

Segundo a defesa, todas as dívidas da campanha de 2012 foram devidamente quitadas e comprovadas no processo. Os advogados também alegam que Rogério Andrade não possui ligação com pessoas apontadas como possíveis credoras da vítima, citando ainda que esses indivíduos teriam sido investigados por ameaças e tentativas de extorsão contra Rielson.

Expectativa

Com o adiamento, a expectativa agora é pela remarcação do julgamento após a análise dos elementos ausentes. O caso segue cercado de grande atenção pública e é considerado um dos mais emblemáticos da história recente da política no sul da Bahia.

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