Júri de acusados pelo duplo homicídio de Fabrício Trevizani e Marycélia Silva Bobbio deve ocorrer em meados de julho de 2026.

Giro de Noticias - 23/06/2026 - 07:21


O júri popular dos acusados pelas mortes de Fabrício Trevizani e Marycélia Silva Bobbio deve ocorrer nos meados de julho de 2026. O caso, que ganhou grande repercussão no extremo sul da Bahia, ocorreu em outubro de 2017, quando o casal foi assassinado a tiros enquanto dormia em uma fazenda na zona rural de Guaratinga.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, a ex-companheira de Fabrício, Daniela Pinheiro de Souza, foi apontada como mandante do crime. A motivação, segundo a polícia, estaria relacionada a uma disputa por herança.

O processo judicial enfrenta uma longa trajetória marcada por atrasos e dificuldades. Em fevereiro de 2025, o ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concedeu habeas corpus aos acusados Jhonatan da Silva Teixeira, Taniro Francisco Ribeiro e Eferson Queiroz Santos, estendendo o benefício também a Daniela Pinheiro de Souza. A decisão considerou o excesso de prazo, já que os réus permaneceram presos por mais de sete anos sem julgamento.

Após a soltura, a Justiça determinou a aplicação de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleiras eletrônicas, para monitoramento dos acusados.

Desaforamento do julgamento

Diante das dificuldades estruturais e processuais enfrentadas na comarca de Guaratinga, a defesa solicitou o desaforamento do julgamento. O pedido foi aceito com parecer favorável do Ministério Público da Bahia, que considerou a necessidade de garantir a imparcialidade, a segurança e a regularidade do júri.

Inicialmente previsto para ocorrer em Guaratinga, o julgamento foi transferido para outra comarca da região, devendo acontecer em Porto Seguro nos primeiros dias de julho de 2026.

A magistrada responsável pelo caso destacou diversos obstáculos enfrentados ao longo do processo, como a falta de estrutura adequada para realização do júri, incluindo espaço físico insuficiente para comportar réus, advogados, jurados, testemunhas e público.

Uma tentativa anterior de julgamento, marcada para 13 de setembro de 2022, chegou a ser iniciada, mas foi suspensa por falta de jurados.

Relembre o caso

Fabrício Trevizani, de 34 anos, e Marycélia Silva Bobbio, de 24, foram mortos enquanto dormiam em uma propriedade às margens da BA-283, na localidade conhecida como Escadinha. Segundo a investigação, os autores efetuaram disparos pela janela do quarto.

A polícia aponta que o crime foi encomendado por Daniela Pinheiro de Souza, inconformada com a possibilidade de divisão de herança após saber que Marycélia estaria grávida de Fabrício.

Ainda conforme as investigações, Jhonatan da Silva Teixeira teria sido o executor dos disparos, com apoio de outros envolvidos. Um adolescente também participou da ação e foi apreendido à época. Um sexto suspeito chegou a ter prisão decretada, mas permanece foragido.

No momento do crime, uma criança de quatro anos, filho de Marycélia de outro relacionamento, estava na casa, mas não ficou ferida.

Expectativa por desfecho

Após oito anos de adiamentos e entraves judiciais, familiares das vítimas aguardam que o júri popular finalmente aconteça e traga um desfecho para um dos casos mais marcantes da região.

A realização do julgamento em julho de 2026 é vista como um passo decisivo para a conclusão do processo e a responsabilização dos envolvidos.

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