
Um ato de coragem terminou em tragédia na manhã desta segunda-feira (23), em Eunápolis, no sul da Bahia. O capitão da reserva da Polícia Militar, Jozival da Silva, foi morto a facadas ao tentar defender uma mulher vítima de violência doméstica.
De acordo com informações da equipe do SILC de Eunápolis, o caso ocorreu por volta das 08h, após comunicação do CICOM sobre um homicídio na Rua Madagascar, no bairro Dinah Borges.
Segundo a polícia, o oficial tentou intervir para socorrer Andressa Menezes Amaral, que estava sendo agredida pelo companheiro, identificado como Rian Bomfim de Jesus, de 23 anos. Ao agir para conter o agressor e realizar a prisão em flagrante, o capitão foi atacado de forma violenta, sofrendo diversos golpes de faca.
Jozival chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital Regional de Eunápolis, mas não resistiu aos ferimentos.
Após o crime, o autor fugiu para uma área de mata no mesmo bairro. Durante as diligências, as forças de segurança conseguiram localizá-lo. Ainda segundo a polícia, Rian reagiu à abordagem armado com uma pistola — arma que teria sido tomada do capitão durante a ação —, o que levou à intervenção policial.
Ele foi baleado, socorrido e também encaminhado ao Hospital Regional de Eunápolis, mas morreu após dar entrada na unidade.
A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do caso.
O episódio causou grande comoção na região e destaca, mais uma vez, os riscos enfrentados por agentes de segurança, mesmo após irem para a reserva, ao agirem em defesa da vida.
A morte do capitão Jozival da Silva gerou forte comoção entre colegas de farda e moradores. Conhecido pela dedicação e pelos anos de serviços prestados à segurança pública, ele construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a população.
Durante sua carreira, comandou o 4º Pelotão da Polícia Militar em Itabela entre os anos de 2008 e 2015, período em que ganhou destaque pelo trabalho firme no combate à criminalidade. Após se aposentar, passou a residir em Eunápolis, onde também se dedicava a uma propriedade rural.
O capitão também chegou a comandar a Guarda Municipal de Eunápolis após ir para a reserva.
Reconhecido pela seriedade, coragem e compromisso, Jozival conquistou o respeito da comunidade e de autoridades locais ao longo de sua trajetória.
O caso reforça o alerta para a gravidade da violência doméstica e os riscos enfrentados por quem tenta intervir em situações extremas. A atitude do capitão é lembrada como um exemplo de bravura — alguém que, mesmo fora da ativa, não hesitou em agir para salvar uma vida.
O capitão da reserva da Polícia Militar, Jozival da Silva, foi velado nas dependências da Pax do Brasil, em Eunápolis, e sepultado neste domingo em um cemitério local da cidade.