
Um caso de violência extrema e revoltante veio à tona em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. Áudios divulgados pela imprensa expõem a crueldade de uma patroa que não apenas agrediu, mas se vangloriou de torturar uma jovem faxineira de 19 anos, grávida de cinco meses.
A vítima, identificada como Samara, relatou ter vivido momentos de terror no dia 17 de abril, dentro da casa onde trabalhava. Segundo seu depoimento, ela foi brutalmente espancada após ser acusada injustamente de furtar um anel.
Nas gravações, a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, descreve as agressões com frieza:
“Quase uma hora essa menina no massacre. Tapa, murro, pisando nos dedos… tudo que você imaginar.”
O caso ganha contornos ainda mais graves com a denúncia de que um policial teria sido chamado para intensificar a violência. Armado, ele teria apontado a arma para a vítima e colocado o revólver em sua boca, tentando forçá-la a confessar um crime que não cometeu.
Mesmo após o anel ser encontrado em um cesto de roupas sujas, as agressões continuaram. Em outro áudio, a suspeita afirma:
“Dei tanto tapa que minha mão ficou inchada.”
A jovem só conseguiu sair com vida por circunstâncias ainda investigadas. No dia seguinte, procurou a polícia. O exame de corpo de delito confirmou múltiplas lesões pelo corpo e ferimentos na cabeça, possivelmente causados por coronhadas.
Além da violência física, novas revelações indicam possível interferência policial. Em outro trecho, a suspeita afirma que evitou a prisão por conhecer um agente:
“Se não fosse ele, eu tinha sido levada pra delegacia.”
Após a repercussão, a Justiça expediu mandado de prisão preventiva. A acusada chegou a fugir, mas foi localizada e presa no bairro São Cristóvão, na zona leste de Teresina.
O mandado foi expedido pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, que também autorizou buscas, apreensão de materiais e extração de dados eletrônicos para aprofundar as investigações.
A suspeita responde por crimes como tortura, lesão corporal, ameaça e constrangimento ilegal. Segundo a polícia, as agressões teriam sido premeditadas e envolveram violência física, psicológica e restrição da capacidade de defesa da vítima.
Em nota, a Polícia Civil do Piauí informou que a prisão ocorreu após solicitação da Polícia Civil do Maranhão, que investiga o caso.
Enquanto isso, a jovem tenta se recuperar do trauma e pede por justiça diante de um crime que expõe não apenas a brutalidade da agressora, mas também possíveis falhas graves no sistema de proteção.
O policial que foi chamado pela empresária para ajudar a torturar a empregada é Michael Bruno. Ele alega que não praticou as agressões ou qualquer ato de violência e que, até o momento, não teve acesso integral aos autos.
Os demais policiais envolvidos na ação no dia do caso foram afastados, e o que participou das agressões foi ouvido e nega ter feito o que a patroa descreve em áudio sobre ele. A mulher já responde a uma condenação pelo mesmo crime.