Operação “Sintonia de Gravata” cumpre 22 mandados de prisão e mira atuação de facções dentro do sistema prisional na Bahia. Dez advogados foram presos na Operação

Giro de Noticias - 04/07/2026 - 13:03


Uma operação integrada deflagrada na manhã desta sexta-feira (3) pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), em conjunto com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), Secretaria de Segurança Pública (SSP) e Polícia Civil da Bahia (PCBA), resultou no cumprimento de 22 mandados de prisão preventiva em seis municípios baianos.

Batizada de “Sintonia de Gravata”, a ação tem como foco o enfrentamento de facções criminosas com atuação articulada dentro e fora do sistema prisional. Além das prisões, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis, com diligências realizadas nas cidades de Serrinha, Salvador, Camaçari, Barreiras, Feira de Santana e Lauro de Freitas.

Durante as ações, foram apreendidos notebooks, aparelhos celulares e diversos documentos que devem auxiliar no aprofundamento das investigações e na identificação de outros possíveis envolvidos.

A Justiça também determinou a indisponibilidade de ativos financeiros dos investigados, com bloqueio de valores que podem chegar a R$ 10 milhões, além da restrição sobre veículos, imóveis, embarcações e até aeronaves, com o objetivo de desarticular financeiramente as organizações criminosas.

De acordo com o MPBA, as investigações apontam para a existência de grupos criminosos estruturados, envolvidos com tráfico de drogas, circulação ilegal de armas e movimentação financeira ilícita. Um dos principais pontos identificados foi a manutenção de um sistema de comunicação clandestino que permitia que lideranças presas em unidades de segurança máxima continuassem comandando as atividades criminosas.

Segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), o esquema contava com um núcleo externo responsável por intermediar a troca de mensagens entre detentos e integrantes em liberdade, garantindo a continuidade das ações ilícitas.

Outro aspecto relevante da investigação envolve a atuação de advogados suspeitos de utilizar indevidamente as prerrogativas da profissão para facilitar a comunicação entre presos e o mundo externo. Conforme apurado, esses profissionais teriam papel estratégico na transmissão de ordens e na organização das atividades criminosas, burlando regras de isolamento impostas pelo sistema prisional.

Com essa estrutura, mesmo detidas, as lideranças conseguiam gerenciar o tráfico de drogas, negociar armas, movimentar recursos financeiros e até resolver conflitos internos das facções, demonstrando um alto nível de organização e hierarquia.

A operação contou com a participação de mais de 100 profissionais, incluindo promotores de Justiça, servidores e policiais do Gaeco, além de equipes do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e do Departamento de Polícia do Interior (Depin), reforçando a atuação conjunta das forças de segurança.

A “Sintonia de Gravata” integra uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Gncoc), com o objetivo de intensificar o combate às facções em todo o país.

Durante a Operçao dez advogados foram presos, eles atuam para diversos chefes de facções. Eles ainda não têm defesa constituída no processo.

A advogada Maria Tereza Novaes Martins atuaria em favor de Victor de Freitas Silva, conhecido como "Da Jega", um dos chefes da organização criminosa Comando Vermelho (CV), com atuação em Feira de Santana

As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas.

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