Sangue, farda e suspeitas: PM e monitor penal são presos acusados por execução de advogada na Bahia

Giro de Noticias - 04/08/2026 - 08:10


Um crime brutal, cercado de frieza e planejamento, ganhou contornos ainda mais graves após a revelação de que um policial militar da ativa e um servidor penal terceirizado estão entre os suspeitos de participação na execução da advogada Cláudia Félix de Oliveira, de 51 anos, em Itororó, no sul da Bahia.

A prisão dos dois investigados ocorreu na última segunda-feira (3), durante a Operação Vendetta, deflagrada pela Polícia Civil. A ação cumpriu mandados de prisão temporária e busca e apreensão, escancarando uma investigação que aponta para um homicídio cuidadosamente articulado — e, possivelmente, encomendado.

Cláudia foi assassinada no dia 25 de julho, dentro da própria casa, após homens armados invadirem o imóvel e efetuarem diversos disparos. Um crime que, por si só, já choca. Mas que ganha ainda mais peso quando surgem indícios de envolvimento de agentes ligados ao sistema de segurança pública.

O primeiro preso foi um monitor de ressocialização de 27 anos, localizado ao sair do Conjunto Penal de Lauro de Freitas. Com ele, a polícia apreendeu uma pistola calibre .38, carregadores e munições. Já o segundo investigado, um policial militar de 29 anos, também teve a prisão temporária decretada e cumprida.

As investigações indicam que os dois, junto com outros comparsas, saíram de Dias d’Ávila na noite anterior ao crime e seguiram até Itororó, onde teriam executado a advogada horas depois. Antes disso, segundo a polícia, o grupo já havia feito viagens nos dias 20 e 21 de julho para monitorar a rotina da vítima — um detalhe que reforça a tese de premeditação.

A motivação, ainda em apuração, aponta para uma dívida atribuída a um sobrinho da advogada. Um jovem de 20 anos, morador de Camaçari, é investigado como possível mandante do crime. A hipótese levanta uma pergunta inquietante: até onde vai a banalização da violência quando conflitos financeiros passam a ser resolvidos com execuções?

Durante a operação, a polícia também apreendeu veículos utilizados no crime — um deles com placa adulterada — além de armas de airsoft, colete tático, rádios comunicadores e dezenas de estojos de munição em endereços ligados aos suspeitos.

Para o diretor regional da Polícia Civil, delegado Roberto Júnior, o caso ainda está longe de ser totalmente esclarecido. Segundo ele, as investigações seguem para identificar todos os envolvidos e detalhar a participação de cada um.

Mas o que já se sabe é suficiente para causar indignação: agentes que deveriam proteger a sociedade aparecem, mais uma vez, no lado oposto da lei.

A presença de um policial militar entre os investigados levanta um alerta sério sobre o uso indevido da estrutura, do treinamento e da confiança pública. Quando a farda se mistura com o crime, o impacto vai além de uma vítima — atinge diretamente a credibilidade das instituições.

Enquanto isso, a família da advogada busca respostas diante de uma perda irreparável. E a sociedade, mais uma vez, se depara com um cenário onde justiça, segurança e impunidade parecem caminhar em direções opostas.

A Polícia Civil afirma que as diligências continuam para localizar outros envolvidos e aprofundar as investigações.

O espaço segue aberto para manifestação da defesa dos citados.

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