Denúncia da TV Bahia aponta suposto esquema de superfaturamento em shows com verba pública e cita envolvimento de David Loyola irmão do secretario de Jeronimo

Giro de Noticias - 24/06/2026 - 06:57


Uma investigação da TV Bahia revelou indícios de um esquema de superfaturamento na contratação de shows e eventos financiados com recursos públicos na Bahia. As irregularidades estariam concentradas em contratos firmados pela Superintendência de Fomento ao Turismo da Bahia (Sufotur), órgão vinculado à Secretaria de Turismo do Estado (Setur), entre os anos de 2015 e 2024.

De acordo com a apuração, o esquema envolveria pelo menos quatro produtoras de eventos, além de pessoas utilizadas como “laranjas” e o ex-gestor da Sufotur, Diogo Medrado. As empresas citadas são Brilho Estrelar Produções Artísticas Ltda., Estrelar Produções e Serviços Eireli, Tamy Produções Artísticas e Serviços Ltda. e Nível Dez Produções Artísticas e Serviços Ltda. Parte delas compartilha endereço, e-mail e integrantes da mesma família.

Somente entre 2023 e 2025, essas quatro produtoras receberam 641 pagamentos, que somam cerca de R$ 58 milhões. No total, os gastos da Sufotur chegaram a R$ 1,84 bilhão até 2026. O orçamento do órgão teve crescimento expressivo nos últimos anos, saltando de R$ 79 milhões em 2019 para R$ 623 milhões em 2024 — aumento de quase 700%.

A reportagem analisou mais de uma década de relatórios do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e centenas de notas fiscais. Os documentos indicam ausência de justificativas para os preços praticados, concentração de contratos nas mesmas empresas e uso recorrente de inexigibilidade de licitação — mecanismo legal que dispensa concorrência pública, mas que deve ser aplicado apenas em casos específicos, como contratação direta de artistas consagrados, com valores compatíveis ao mercado.

Segundo a investigação, artistas com pouca visibilidade estariam sendo contratados por valores muito acima dos praticados. No entanto, os profissionais não recebiam esses montantes, que ficariam retidos pelas produtoras intermediárias. Um dos casos citados é o da cantora Emily Ferraz, cujo cachê em evento privado foi de R$ 8 mil, enquanto sete apresentações contratadas pelo governo ultrapassaram R$ 500 mil, média superior a R$ 70 mil por show. A artista afirmou desconhecer qualquer irregularidade.

Outra empresa mencionada é a Usina Mixx Produções Ltda., que aparece em diversos contratos com a Sufotur e prefeituras baianas. A empresa teria atuado como intermediária na contratação de artistas para eventos festivos e turísticos. Auditorias e apurações apontam falhas como ausência de justificativa de preços e possível direcionamento nas contratações.

Reportagem do Jornal da Manhã, da TV Bahia/Rede Globo, aponta que o atual secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Teixeira de Freitas, David Loyola, seria um dos proprietários ou o principal responsável pela Usina Mixx. Artistas ouvidos relataram práticas como superfaturamento e até calotes, com pagamentos muito inferiores aos valores registrados em notas fiscais — em alguns casos, até 800 vezes menores.

David Loyola é irmão de Adolfo Loyola, secretário de Relações Institucionais do governo estadual e considerado um dos principais assessores do governador Jerônimo Rodrigues.

Diogo Medrado, que presidiu a Bahiatursa (antecessora da Sufotur) entre 2014 e 2022 e retornou ao cargo após reestruturação, já teve contas desaprovadas pelo TCE nos anos de 2019, 2020 e 2021. Relatórios também apontam pagamento de multas e dificuldades de acesso a documentos durante auditoria realizada em 2023. Ele nega irregularidades e afirma que todas as contratações seguiram a legislação, com análise técnica e jurídica.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) investiga o caso, apurando possíveis crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro. Um inquérito civil também foi instaurado para analisar os contratos e propor melhorias nos processos de contratação artística. As investigações correm sob sigilo.

Em nota, a Sufotur informou que vem adotando medidas para reforçar os controles internos, aumentar a transparência e aprimorar os processos administrativos, mantendo-se à disposição dos órgãos de fiscalização. Já a Usina Mixx Produções e David Loyola não tiveram posicionamento detalhado divulgado nas reportagens principais.

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