Farra com dinheiro público: festa milionária contrasta com crise na saúde e segurança no sul da Bahia

Giro de Noticias - 02/07/2026 - 06:11


Enquanto a região do extremo sul da Bahia enfrenta um dos momentos mais críticos de sua história nas áreas de saúde, infraestrutura e segurança pública, o município de Eunápolis dá início a mais uma grande festa financiada com dinheiro público.

São milhões de reais saindo dos cofres municipais e estaduais para bancar apresentações de artistas renomados, com cachês que chegam a ultrapassar R$ 800 mil por menos de duas horas de show. Diante desse cenário, surge o questionamento: quanto recebe o cidadão comum que trabalha o mês inteiro para garantir o seu sustento?

A festa dura poucos dias, mas as consequências permanecem. Passado o evento, a realidade volta à tona: falta de médicos, escassez de medicamentos, insegurança crescente e diversos outros problemas que seguem sem solução. Ainda assim, não se observam medidas efetivas para conter o que muitos consideram um uso excessivo de recursos públicos com entretenimento.

Fica a reflexão: sem o apoio dos cofres públicos, seria possível reunir, em uma única noite, artistas de grande porte como Calcinha Preta, Gusttavo Lima e João Gomes?

Além da programação musical, a Prefeitura de Eunápolis anunciou a disponibilização de ônibus gratuitos para facilitar o acesso da população ao circuito da festa — um serviço que não é oferecido com a mesma eficiência no dia a dia para quem depende do transporte público.

A programação inclui dezenas de artistas de renome nacional, com custos elevados ao longo de três dias de evento, muitas vezes para apresentações de curta duração. O contraste com a realidade da cidade chama atenção: há ruas, inclusive na região central, em condições precárias, com buracos que dificultam a mobilidade, enquanto espaços específicos recebem investimentos pontuais para atender à estrutura da festa, como a instalação de pisos provisórios que são retirados logo após o evento.

Diante disso, cresce a insatisfação de parte da população, que questiona a prioridade na aplicação dos recursos públicos. Afinal, de quem é o dinheiro investido nessas celebrações?

Enquanto parte da população enfrenta a dura realidade de aguardar na fila da regulação da saúde, viver em áreas de risco, lidar com o desemprego ou até conviver com a dor de perder familiares para a violência — ou ainda sobreviver sob o medo constante da insegurança —, um cenário completamente diferente é montado para a maior festa da região.

O Pedrão 2026 chega com uma megaestrutura que inclui palco de grande porte, segurança reforçada, equipes de saúde, serviços de apoio e até transporte gratuito para o público. Mesmo diante de críticas relacionadas à gestão e à destinação dos recursos públicos, a expectativa é de grande público e ampla participação popular no evento.

Quanto aos artistas, seus preços e horários de apresentação, não têm culpa de nada. Eles apenas fazem o seu trabalho, conforme é contratado e divulgado. Paga quem quer.

A responsabilidade está em quem não mede as consequências que virão depois de tantos gastos e altos valores pagos, deixando de investir no que realmente importa: a exemplo da saúde pública.

WhatsApp Giro de Notícias (73) 98118-9627
Adicione nosso número, envie-nos a sua sugestão, fotos ou vídeos.


Compartilhe:

COMENTÁRIOS

Nome:

Texto:

Máximo de caracteres permitidos 500/



Parabéns pela matéria, condizente com a verdade. Mas gostaria de salientar que essa prática não é exclusiva de Eunapolis, trata-se de uma dinâmica do estado da Bahia que oferece “pão e circo” para sua população. Cidades da região com 50, 60, 70 anos com estruturas precárias, promovem festas milionárias. A exemplo de Itapebi que anuncia sua festa de aniversário, com programação milionária para 14 de agosto. É lamentável, mas um povo carente de tudo ainda aplaude e festeja como se não houvesse amanhã
Cassio Oliveira

Mas disparado é quem vota nele
Lei