
O descaso com moradores e motoristas que trafegam pelo desvio entre Santa Maria Eterna, em Belmonte, e Eunápolis continua sendo motivo de revolta. O que inicialmente foi apresentado como uma solução emergencial para viabilizar o fluxo durante as obras na ponte sobre o Rio Jequitinhonha, na BR-101, tem se transformado em um verdadeiro problema logístico e econômico para a região.
As intervenções na ponte, localizada no município de Itapebi (BA), vêm provocando impactos diretos na economia do Extremo Sul da Bahia. O desvio, com cerca de 60 quilômetros de extensão, tem dificultado o transporte de cargas e aumentado significativamente os custos operacionais das empresas.
De acordo com informações divulgadas pela Agência iNFRA, o ministro dos Transportes, Renan Filho, assinou em 24 de julho de 2025 a ordem de serviço para a construção de uma nova ponte sobre o Rio Jequitinhonha, além da recuperação da estrutura atual. O investimento total previsto é de R$ 104,7 milhões, sendo aproximadamente R$ 70 milhões destinados à nova estrutura.
O projeto contempla a construção da nova ponte, reforço e monitoramento da travessia existente, além de melhorias nos acessos da rodovia, no trecho do km 661,72 da BR-101. A previsão contratual de entrega é fevereiro de 2027, mas fontes ouvidas pela reportagem indicam que, caso o cronograma seja mantido, a obra pode ser concluída até o fim de 2026.
Enquanto isso, a realidade enfrentada por quem depende da rodovia é crítica. Um trajeto que antes era percorrido em cerca de uma hora pode levar até oito horas em dias de chuva. Sem manutenção adequada por parte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), sem cobertura de telefonia e sem pontos de apoio, o desvio acumula registros de veículos atolados, caminhões quebrados e acidentes.
Há ainda preocupações quanto à segurança da ponte atual. Fontes relataram que a estrutura pode estar comprometida, não oferecendo condições seguras nem mesmo para veículos leves. Até o momento, não há posicionamento oficial que confirme essa avaliação.
O impacto econômico já é sentido por diversos setores. Segundo Pablo César Moraes, presidente do Distrito Industrial de Eunápolis, os custos logísticos aumentaram cerca de 30%, devido ao maior consumo de combustível, riscos nas viagens e atrasos na entrega de insumos.
O especialista em logística Jaberson Fernandes estima um aumento entre 10% e 15% nos custos operacionais. Ele destaca que as condições da estrada têm provocado avarias nas cargas e forçado reajustes de cerca de 10% nos valores pagos a transportadores terceirizados, parte dos quais vem sendo absorvida pelas empresas para evitar repasse ao consumidor.
No comércio, os reflexos também são evidentes. O empresário Denis Cláudio Santos, do setor de pneus, relatou aumento de aproximadamente 50% na procura por produtos, consequência direta das condições precárias do desvio. Ainda assim, ele enfrenta dificuldades para receber mercadorias, especialmente em períodos chuvosos.
Já o empresário Júnior Checon, do setor de distribuição de bebidas, aponta o tempo de deslocamento como principal prejuízo. Segundo ele, mesmo sem chuva, o retorno à BR-101 pode levar até quatro horas. O desgaste dos veículos também elevou significativamente os custos de manutenção, atualmente absorvidos pelas empresas.
Para Emerson Alves de Oliveira, gerente corporativo de operações, a precariedade do trecho compromete o abastecimento industrial e aumenta despesas com pneus, molas e manutenção. Ele afirma ainda que algumas transportadoras já se recusam a realizar o trajeto devido ao alto custo e à demora.
Rotina de incerteza e risco
Enquanto empresários contabilizam prejuízos, caminhoneiros enfrentam uma rotina marcada por dificuldades e insegurança.
O caminhoneiro Cristiano de Oliveira Melo, que saiu de Jacobina transportando pedras com destino ao Rio Grande do Sul, está parado há dias após problemas mecânicos no veículo. Ele relata que a falta de sinal de celular, a ausência de estrutura e a necessidade de deixar o caminhão sozinho para buscar ajuda aumentam o risco de furtos.
Situação semelhante vive Hilton Geraldo, de 43 anos, que também teve o caminhão quebrado no trajeto. Transportando refrigerantes para Eunápolis, Porto Seguro e Teixeira de Freitas, ele afirma não ter previsão para concluir as entregas e classifica o cenário como de abandono.
A situação reforça a preocupação de empresários e trabalhadores com os impactos causados pelo desvio, que segue sem infraestrutura adequada enquanto as obras na BR-101 avançam sem uma solução imediata para quem depende diariamente da rodovia.
A maior preocupação agora é com a entrega da nova ponte. Inicialmente, a previsão era de que a obra fosse concluída até novembro de 2026. No entanto, pelo que se observa no andamento dos trabalhos, há o risco de esse prazo não ser cumprido, podendo a conclusão se arrastar para 2027.
Enquanto isso, a realidade enfrentada por motoristas e empresas é cada vez mais crítica. O período de chuvas se aproxima e, até o momento, não há nenhuma medida concreta eficaz para melhorar as condições de tráfego no desvio.
A situação gera insegurança, aumenta custos e evidencia a falta de soluções emergenciais para um problema que já impacta diretamente a economia e o dia a dia da população do Extremo Sul da Bahia.
Espaço aberto: O DNIT e o Ministério dos Transportes não se manifestaram até o fechamento desta matéria. O espaço segue disponível para esclarecimentos.
Imagens e algumas informações são do radar News