Júri do caso Fabrício Trevizani e Marycélia Bobbio é adiado novamente e expõe demora da Justiça no Extremo Sul

Giro de Noticias - 04/08/2026 - 19:38


O julgamento de um dos crimes mais chocantes da história recente do Extremo Sul da Bahia voltou a ser adiado — mais uma vez. O júri popular do caso que envolve o assassinato do casal Fabrício Trevizani, de 34 anos, e Marycélia Silva Bobbio, de 24, inicialmente marcado para o dia 20 de agosto de 2026, agora só deve ocorrer em 2 de dezembro de 2026, às 8h, no Fórum de Porto Seguro.

A decisão é da 1ª Vara Criminal, Júri e Execuções, assinada pelo juiz William Bossaneli Araujo. Segundo o magistrado, o novo adiamento ocorre diante da elevada complexidade do processo, do número de réus e da quantidade expressiva de testemunhas. A previsão é que a sessão do Tribunal do Júri se estenda por dois dias consecutivos.

O caso envolve seis acusados: Daniela Pinheiro de Souza, apontada como mandante do crime, além de Jhonatan da Silva Teixeira, Tamiro Francisco Ribeiro, Rafael Barbosa da Silva, Erick Maceno Reis e Eferson Queiroz Santos.

O duplo homicídio ocorreu em 19 de outubro de 2017, em uma fazenda às margens da BA-283, na localidade da Escadinha, zona rural de Guaratinga. Segundo as investigações, o casal, Fabrício Trevizani e Marycélia Bobbio, foi executado enquanto dormia, surpreendido por disparos efetuados através da janela do quarto — uma ação considerada fria e premeditada.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime teria sido encomendado por Daniela, ex-companheira de Fabrício, motivada por interesses patrimoniais. Marycélia, que era namorada da vítima, estava grávida de dois meses, circunstância que, segundo a investigação, agravou o cenário que culminou no assassinato.

A execução, ainda conforme o processo, teria sido realizada pelo então namorado da acusada, Jhonatan da Silva Teixeira, com o apoio de outros comparsas. Um dos envolvidos era menor de idade na época dos fatos.

Os criminosos teriam invadido a propriedade após render o caseiro. No momento do ataque, um filho de Marycélia, de apenas quatro anos, também estava na residência, mas não foi ferido.

Presos poucos dias após o crime, em outubro de 2017, os acusados permaneceram custodiados no presídio de Teixeira de Freitas até 13 de fevereiro de 2025, quando tiveram a prisão relaxada por excesso de prazo.

A decisão foi do ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que atendeu a pedidos das defesas. Foram beneficiados Jhonatan da Silva Teixeira, Tamiro Francisco Ribeiro, Eferson Queiroz Santos e Daniela Pinheiro de Souza, com imposição de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

O processo se arrasta há anos e já acumulou uma série de adiamentos. Em 2022, o júri chegou a ser marcado para o dia 13 de setembro, no Fórum de Guaratinga, mas acabou suspenso após a dissolução do conselho de sentença, por falta de jurados.

Para a nova data, a Justiça determinou uma série de providências: reforço na segurança com apoio da Polícia Militar, estrutura para acolhimento de jurados e autorização para participação virtual de alguns réus.

Outro ponto delicado envolve a defesa dos acusados. Diante da renúncia de advogados, o juiz determinou que, caso não haja nova representação, a Defensoria Pública da Bahia será acionada para garantir o direito à ampla defesa.

Quase uma década após o crime, o caso segue sem julgamento definitivo — um retrato da lentidão da Justiça em processos complexos. Enquanto isso, permanece a expectativa de que o júri, agora remarcado para dezembro, finalmente traga respostas para um crime que marcou profundamente a região.

O espaço segue aberto para manifestação das defesas dos acusados.

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Se fosse alguém relacionado ao prefeito já teria resolvido. Quando foi o de Paulinho rapidinho O prefeito entrou no caso teve a maior repercussão que o extremo sul já viu
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