7 de setembro perde espaço e tradição diante de eventos políticos em cidades da Bahia

Giro de Noticias - 07/09/2026 - 15:04


BAHIA — O que deveria ser uma das principais datas cívicas do calendário brasileiro parece ter perdido espaço e importância em diversas cidades baianas. O 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, tradicionalmente marcado por desfiles, apresentações escolares, fanfarras e manifestações de patriotismo, vem sendo deixado em segundo plano enquanto eventos de natureza política ganham cada vez mais destaque.

Durante décadas, o feriado foi marcado pela presença de estudantes nas ruas, famílias acompanhando os desfiles e escolas preparando apresentações que envolviam meses de ensaios. Era uma oportunidade para crianças e jovens conhecerem melhor a história do país e vivenciarem, na prática, uma das principais datas da identidade nacional.

Mas, em muitas cidades, essa tradição parece estar desaparecendo.

O problema não está apenas na ausência de um grande desfile. O que preocupa é o esquecimento gradual do significado da data. Quando uma cidade deixa de valorizar suas comemorações cívicas, perde-se também uma oportunidade de ensinar às novas gerações sobre a história, os símbolos nacionais e a importância da cidadania.

Política ganha espaço onde a história deveria estar em evidência

Enquanto o 7 de Setembro perde força, eventos políticos e agendas partidárias continuam mobilizando estruturas, lideranças e público em diferentes municípios.

A crítica não é contra a realização de eventos políticos — eles fazem parte da democracia. A questão é outra: por que existe disposição para organizar grandes eventos políticos, mas falta o mesmo empenho para preservar uma tradição cívica?

A Independência do Brasil não pertence a um partido, a um prefeito, a um governador ou a qualquer grupo político. A data pertence à população.

É justamente por isso que o 7 de Setembro deveria ser tratado como um momento de união, e não como uma data esquecida no calendário.

Uma tradição que não deveria desaparecer

Os desfiles cívicos também representam uma oportunidade para as escolas apresentarem projetos, bandas e fanfarras, além de envolverem famílias e comunidades.

Não se trata de defender gastos exagerados ou grandes estruturas. Muitas vezes, uma comemoração simples, organizada pelas escolas e pelo município, já seria suficiente para manter viva a tradição.

O que não pode acontecer é a data passar despercebida.

Em tempos de intensa polarização política, talvez seja ainda mais importante recuperar momentos que possam reunir a população em torno de algo que esteja acima das disputas partidárias: a história e o futuro do Brasil.

O 7 de Setembro merece ser lembrado

Esquecer o 7 de Setembro não significa apenas deixar de realizar um desfile. Significa, pouco a pouco, permitir que uma parte da memória cívica seja apagada.

Prefeituras, escolas e comunidades precisam refletir sobre o espaço que estão dando às datas históricas. Eventos políticos passam. Mandatos terminam. Partidos mudam. Mas a história de um país permanece.

O 7 de Setembro deveria voltar a ocupar as ruas, as escolas e, principalmente, a memória das novas gerações.

Porque um país que deixa de valorizar a própria história corre o risco de formar cidadãos que conhecem cada vez menos sobre aquilo que ajudou a construir a sociedade em que vivem.

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