
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou o prefeito de Casa Nova, Wilker Oliveira Torres (PSB, no norte do estado, por fraude em licitação e alienação ilegal para apropriação de um terreno público de 2.868 m², por R$ 1,5 milhão. Uma moradora da cidade, amiga do prefeito, intermediou a transação fraudulenta e também foi denunciada.
A denúncia foi feita no dia 16 de junho e confirmada ao G1 pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) nesta terça-feira (29). O TJ-BA deu prazo de 15 dias para os citados oferecerem respostas, mas eles ainda não o fizeram. O G1 tentou contato com a prefeitura de Casa Nova, mas não conseguiu falar até a última atualização desta reportagem.
Segundo o TJ-BA, o prefeito Wilker Oliveira Torres (PSB) e a amiga dele, Mary Rodrigues Figueiredo, devem responder pelas leis de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores; e de fraudes em licitações e contratos administrativos, como o caso da denúncia.
O G1 teve acesso ao documento da denúncia, que detalha que a prática criminosa começou em 2017, no primeiro mandato de Wilker. No documento, o MP-BA afirma que ele "planejou e executou um plano que possibilitou a ilegal transferência de um terreno urbano pertencente ao município" para Mary.
A transação foi descoberta após denúncia de outro morador da cidade. A partir daí, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) encaminhou um relatório demonstrando a necessidade da investigação.
O documento do MP-BA detalha que o prefeito falsificou uma lei e solicitou um projeto de outra, que permitia o procedimento, para que a transação fosse encarada como legal. Com isso, Wilker abriu uma licitação fraudulenta da venda do terreno, para que Mary arrematasse o bem.
A fraude na licitação ficou comprovada porque as pessoas que apresentaram interesse no terreno não tinham sequer suporte financeiro para participarem das transações, bem como não oficializaram a proposta de preços. O terreno de R$ 1,5 milhão deveria ser pago em 18 parcelas de R$ 83.333.
Ainda durante as investigações, foi constatado que Mary tinha o perfil financeiro de “laranja”, como são popularmente chamados os intermediadores – voluntários ou não – de transações fraudulentas. A identificação aconteceu porque também foi identificada a incompatibilidade financeira dela.
Logo após a concretização da transação, a prefeitura então entrou com a alienação, ou seja, transferiu o domínio do terreno para Mary. Esse procedimento fraudulento foi revestido de legalidade, já que o projeto de lei, que acabou sendo aprovado, autorizava a prefeitura a alienar o bem público por meio de doação, desde que o bem fosse arrematado em uma licitação, como foi o caso da fraude.
Depois disso, Mary passou a receber dinheiro encaminhado por diversas pessoas físicas e jurídicas, ligadas ao prefeito Wilker, para fazer o pagamento à prefeitura – comprovando então a lavagem do dinheiro, segundo a documentação.
As investigações apuraram que, entre março de 2019 e setembro de 2020, as pessoas físicas e jurídicas ligadas ao prefeito movimentaram cerca de R$ 1.975.442, de forma ilícita, para proceder com a lavagem do dinheiro, na conta dela. Ainda no documento, o MP-BA pede a condenação do prefeito e da amiga dele pelos crimes já citados.
Matéria G1 Bahia.