
A Polícia Civil do Paraná concluiu que não houve motivação política no assassinato do tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. Jorge Guaranho foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e causar perigo comum, de acordo com a delegada Camila Cecconello.
A delegada afirmou que o homicídio do tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) e guarda municipal Marcelo Arruda não pode ser considerado um crime de ódio, por motivação política. Arruda foi morto no fim de semana pelo policial penal federal Jorge Guaranho, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, durante a festa de aniversário do petista.
Em coletiva à imprensa nesta sexta-feira, 15, a Polícia Civil informou que o policial penal foi até a festa para provocar a vítima e que houve uma discussão em razão de divergências políticas. Mas que não há provas de que, quando Guaranho retornou ao local, ele queria cometer um crime de ódio.
"O que temos é a alegação da mulher dele dizendo que ele voltaria porque disse ter sido humilhado. Então é difícil falar que ele matou por um crime de ódio, pelo fato de a vítima ser petista. Ele não voltou pela escalada de ódio", afirmou a delegada chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, Camila Cecconello.
Segundo as investigações, o agente penal estava num churrasco de time de futebol, ingerindo bebidas alcoólicas, quando tomou conhecimento da festa do petista. Uma testemunha presente no churrasco tinha acesso às câmeras de segurança do clube onde estava Arruda, e as imagens foram vistas pelo autor dos disparos.
Ainda de acordo com a polícia, Guaranho perguntou onde estava acontecendo a festa e se dirigiu até lá com a mulher e a filha. Segundo testemunhas, ele chegou ouvindo uma música relacionada ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Arruda então saiu da festa e ambos iniciaram uma discussão política.
Neste momento, segundo as investigações, Arruda pegou um punhado de terra e jogou contra o carro. O agente penal sacou a arma e apontou para a vítima. Quando sua mulher começou a chorar, ele deixou o local e foi para sua casa, mas retornou.
Guaranho volta ao local e o porteiro tenta impedir sua entrada, mais o policial abre o portão sozinho e invade o local. Marcelo é avisado que o policial penal entrou e o petista carrega a arma e coloca na cintura, Guaranho estaciona o carro e Marcelo pega a arma.
Guaranho chega na porta da festa e saca a arma de fogo, Pâmela, mulher de Marcelo, avisa Guaranho que é policial civil e tenta evitar um confront, Marcelo e Guaranho ordenam um ao outro para que abaixe a arma; Jorge Guaranho atira primeiro e invade o salão de festas. Os dois trocam tiros. Marcelo é morte e Guaranho fica ferido.
A delegada afirmou que o policial penal fez quatro disparos. Dois atingiram o tesoureiro do PT. Marcelo Arruda atirou 10 vezes, acertando quatro tiros contra o policial. O inquérito aponta que Marcelo tinha se armado para se defender, sabendo do provável retorno de Guaranho.