
Em apenas 3 meses do primeiro ano do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as invasões de terras já superaram todos os registros de 2019, primeiro ano do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 2023, foram registradas pelo menos 16 ocupações, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), contra 11 ocupações em 2019.

As mais recentes promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) ocorreram em Itabela na Bahia no dia 3 de fevereiro de 2023 e na segunda-feira, 03/04, no município de Timbaúba, em Pernambuco.
As tais ocupações marcam o início do chamado “abril vermelho”, mês de mobilização do movimento. Neste ano, os ativistas prometem a retomada massiva das ocupações de terras após o período mais severo da pandemia da Covid-19.
O movimento provocou um debate na Assembleia Legislativa de Pernambuco e em Brasília na Câmara dos deputados Federais. O deputado estadual coronel Alberto Feitosa (PL) cobrou um posicionamento da governadora Raquel Lyra (PSDB) diante dos episódios mais recentes.
Eles pede que ela estabeleça imediatamente uma comissão com membros das Secretarias de Agricultura e Defesa Social e a de segurança pública do Estado de Pernambuco. Para poder não só diminuir as tensões, mas tomar providências claras das forças de segurança em proteção à propriedade pública e privada que tem sido invadida pelo MST", declarou.
Na Bahia um grupo de deputados tem vindo a região sul do estado e se reunidos com produtores rurais e formando grupos organizados no compete a violência no campo e combate as invasões em propriedades produtivas como tem ocorrido nos ritmos meses.
As invasões de terras no início do governo Lula contrariam as promessas que o presidente fez durante a campanha. O MST afirma que o governo ainda não se reuniu com o movimento para mediar os conflitos. Entretanto, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirma que as portas do Palácio do Planalto estão abertas para o movimento dialogar e reivindicar um pedaço de terra.
Em pronunciamento nesta terça-feira, 4, Fávaro ainda comparou as invasões aos atos de vandalismo do dia 8 de janeiro e tem se manifestado publicamente a favor das armas para defesa pessoal do homem do campo: “É legítimo um homem do campo ter uma ou duas armas para fazer a primeira defesa, um pouco de munição. É lógico. Ele está a 5o km ou 100 km da cidade, se ele ligar no 190 dá tempo do bandido barbarizar e fazer o que quiser dentro da propriedade, roubar, bater, espancar e não chegou a polícia ainda”.
No Congresso Nacional, existe um movimento de parlamentares para criar uma CPI do MST. A Comissão, que já tem o número mínimo de assinaturas para ser instalada, pretende investigar a recente onda de invasões promovidas principalmente pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra e também pela Frente Nacional de Luta, Campo e Cidade (FNL). O pedido de CPI foi apresentado pelo deputado federal tenente-coronel Luciano Zucco (Republicanos).
A Frente Parlamentar da Agropecuária lançou, na última terça, a Semana de Combate à Invasão no Campo com o lema: “Quem invade terras, invade também a sua casa, invade a sua mesa”. O grupo tem feito uma série de postagens sobre o tema nas redes sociais. Na próxima semana, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados vai receber o ministro da Justiça, Flávio Dino, que deve prestar esclarecimentos sobre as invasões de terra que têm ocorrido nos últimos meses.
Em Itabela o grupo chegou na área, que abrange as fazendas São Jorge e Triunfo, no dia 3 de fevereiro. Na ocasião, as famílias alegaram que a área de 800 hectares estava abandonada e passaram a plantar hortaliças, verduras e raízes no local. A dona da propriedade, Rúbia Pedra Laviola, nega que a terra estava sem uso. Segundo ela, a área é produtiva e voltada para a pastagem e estava arrendada para a criação de gado.
A juíza da cidade determinou a reintegração da posse na propriedade, mas devido à resistência dos integrante do movimento (MST) que interditaram a estrada de acesso a propriedade que fica muito próximo da cidade de Itabela/BA, impedindo o cumprimento do mandato e reintegração da posse. Os integrantes do movimento continuam na paridade mesmo tendo um mandado de reintegração de posse expedido pela justiça.