Irmã de jovem baleado em festa no bairro Carajás, na cidade de Santa Cruz Cabrália, faz nota de esclarecimento ao Giro de Notícias.

Giro de Noticias - 08/10/2023 - 14:15


Ontem por volta das 17h da tarde, fomos pra festa das crianças que era praticamente em frente a nossa casa. Eu, meu esposo, minha amiga e o filho dela, minha irmã e sua bebê de 6 meses, meu filho mais novo de 7 anos e meu irmão Raul Pedro,  de 16 anos, era uma festa comemorativa dos dias das crianças do bairro, com várias crianças se divertindo nos brinquedos, comendo doce, pipoca e etc que estava sendo dado na festinha.

Minutos antes de acontecer o disparo, eu gravei um story no Instagram pra ajudar na divulgação da festa e meu irmão aparece nesse vídeo junto com a gente. Logo após eu ter gravado o vídeo, eu vim em minha casa e quando voltei, vi quatro viaturas da PM passando em direção a festa, e quando já estava na rua, escutei os disparos. Teve muita correria, gritaria das crianças e seus pais, desespero. Eu corri em direção a festa pra procurar meu filho que estava lá com minha irmã e minha amiga, foi quando meu primo que também estava na festa me disse que a polícia chegou atirando e que meu irmão Raul tinha corrido na direção oposta que ele, quando eu soube que meu irmão tinha corrido na direção oposta eu fui de encontro aos policiais pois disseram que tinham atirado em uma pessoa, e eles negaram, falaram que não tinha atingindo ninguém.

Eu continuei insistindo e eles continuaram negando, dizendo que não acertaram ninguém, durante o desespero eu comecei a correr pela festa e a chamar pelo meu irmão, foi quando encontrei meu filho de 7 anos que na correria foi para o outro lado da pista com outras crianças e fui até a pista. Foi quando avistei a viatura da PM entrando no estacionamento do lava jato, onde os tiros ocorreram, eu vi os policiais arrastando alguém e jogando no fundo da viatura, foi quando vi uma parte da calça da pessoa que eles jogaram, preta e branca, da mesma cor que o do meu irmão, como eu não achei ele na correria da festa eu imaginei que poderia ser ele, foi quando vi eles indo na direção sentido Cabrália e eu pedi a um colega que estava de carro, para seguir a viatura, então vi que eles entraram no hospital e eu fui indo atrás.

Chegando no hospital, o policial já tinha levado ele pra sala de emergência falando que ele estava em posse de um celular roubado e que atirou nele porque ele estava com um rádio e uma arma de brinquedo, e eu retruquei dizendo que o celular não era roubado e que eu tinha comprado pra ele e tinha nota fiscal, eles continuaram sendo bastante agressivo com os familiares no local acusando meu irmão de ser criminoso, sendo que o mesmo não tem passagem pela polícia, não tem envolvimento com tráfico e trabalha desde os 12 anos pra ajudar a sustentar a casa e estuda na escola indígena Pataxó de coroa vermelha. A comunidade em peso começou a chegar no hospital, todos bastante revoltados com a situação pois todos o conheciam e sabiam que ele era um menino de bem.

Quando eu consegui entrar na sala de emergência, o médico me falou que ele estava com seis perfurações por arma de fogo, calibre desconhecido, foi quando os médicos submeteu ele a um exame de raio x, e foi constatado que ele estava com vários estilhaços pelo corpo, sendo na cabeça, costas, braço, cintura e um em cada perna. Eu não consegui falar com meu irmão pois ele estava desacordado sob efeito de medicação, foi quando o hospital solicitou a transferência para o Luís Eduardo pois eles achavam que teria a necessidade de fazer uma cirurgia pra remover os estilhaços, só que Graças a Deus não foi necessário, ele não corre risco de vida, foi medicado, não teve nenhuma fratura no osso, os estilhaços não atingiu nenhum local que causasse risco de vida, agora, já nos encontramos em casa, ele está sendo medicado e ficando em repouso, só estamos aguardando que a justiça seja feita e que isso não fique impune, pois se trata de um adolescente que não oferece nenhum tipo de risco para a comunidade e sociedade. Os moradores ainda se encontram revoltados com essa situação e violência.

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