
A Defensoria Pública do Distrito Federal afirma em relatório que a área de saúde do Centro de Detenção Provisória 2 da Papuda estava fechada e que os presos relataram uma demora de cerca de 40 minutos no atendimento a Cleriston Pereira da Cunha, 46, que morreu após passar mal durante o banho de sol na segunda-feira (20/11).
Presos da Papuda relataram à Defensoria Pública do DF que ala médica do presídio estava fechada e que não havia desfibrilador e nem cilindro de oxigênio no dia em que Cleriston Pereira Da Cunha, de 46 anos, morreu no local, depois de sofrer um mal súbito. Ele era réu e estava preso, de forma preventiva, acusado de participar dos ataques golpistas de 8 de janeiro em Brasília.
Os colegas de presídio afirmaram ainda que o atendimento médico a Cleriston demorou 40 minutos. O relato dos presos consta em um relatório da defensoria pública, divulgado na quarta-feira.
Os defensores foram ao local para avaliar as condições dos presos na penitenciária. O relatório diz que os responsáveis pela Papuda disseram que o atendimento no dia da morte Cleriston foi "célere", contando com o acionamento dos Bombeiros e do Samu e que o helicóptero dos bombeiros também foi acionado mas não conseguiu pousar devido ao mau tempo.
Já os presos desmentem essa versão. Todos que foram ouvidos pelos defensores disseram que o atendimento foi demorado. No dia da morte, foi ponto facultativo no Governo do Distrito Federal, o que levou a ter menos servidores no local que o habitual e a área da saúde do presídio estava fechada.
Os detentos contaram ainda que estavam reunidos no pátio, durante o banho de sol, quando Cleriston Pereira da Cunha começou a passar mal. Eles disseram que a policial penal, que tomava conta deles, entrou em desespero por não saber como apoiar e passou a enviar mensagens, solicitando ajuda. O socorro inicial, segundo os presos, foi feito por outros dois detentos, um médico e um dentista, e que, nesse momento, Cleriston teria voltou a respirar por duas vezes.
Segundo os presos, cerca de 25 minutos após Cleriston começar a passal mal, chegou ao local uma médica com estetoscópio e aparelho para medir pressão arterial, instrumentos inadequados para a urgência médica. Eles contaram que quando o atendimento médico chegou, ele á estava morto
Ontem, dois dias depois da morte de Clériston, o ministro Alexandre de Moraes, relator das ações do 8 de janeiro, mandou soltar sete réus acusados de participação nos ataques golpistas. O ministro substituiu a prisão deles por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. Em todos esses casos, havia parecer favorável do MPF pela soltura dos acusados.
Réu sob a acusação de participação nos ataques de 8 de janeiro, ele estava preso preventivamente, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
“No dia do óbito, foi ponto facultativo no Governo do Distrito Federal, o que levou a ter menos servidores no local que o habitual e o GEAIT (área da saúde do presídio) estava fechado”, diz trecho do relatório.
Cleriston sofria de problemas de saúde e tinha um parecer da PGR favorável à soltura dele. Enquanto estava detido preventivamente na penitenciária, ele recebia remédios controlados para diabetes e hipertensão e era acompanhado por uma equipe médica.
Médica alertou para risco de morte
No dia 11 de janeiro, a médica Tania Maria Liete Antunes de Oliveira, do Hospital Regional de Taguatinga, pediu "agilidade na resolução do processo legal" de Cleriston alegando que o detento corria risco de morte por imunossupressão e infecções, diante de seu quadro de saúde.
De acordo com ela, o preso era acompanhado a cerca oito meses por um quadro de "vasculite múltiplos vasos" e "miosite secundária à Covid-19. Em 2022, ele ficou internado por 33 dias para tratar complicações do estado de saúde.
Cleriston era irmão do vereador Cristiano do Ramalho (PSD), do município de Feira da Mata, oeste da Bahia. Conhecido como “Clezão do Ramalho”, ele era residente na Colônia Agrícola 26 de Setembro, em Vicente Pires, no Distrito Federal há mais de 20 anos e fazia uso de medicação controlada porque sofria de diabetes e hipertensão. Ele era casado e deixa duas filhas.