
O governo do presidente Lula levou mais de nove meses para comprar a vacina contra a dengue depois que ela foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O Ministério da Saúde, porém, diz que o processo demorou 144 dias entre o pedido da vacina.
As poucas doses que chegaram, no entanto, terá como público-alvo para a imunização as crianças e os adolescentes de 10 a 14 anos que moram em cidades que correspondem 10% do total de municípios do país.
Segundo o Ministério da Saúde, a restrição na cobertura vacinal se deve à baixa capacidade na produção do imunizante pelo laboratório Takeda Pharma.
Tudo indica que o Brasil enfrentará em 2024 a pior epidemia de dengue da história. No primeiro mês e meio, o país já contabilizou 524 mil pessoas doentes e 84 mortos neste ano, o que equivale a 12 mil infecções a cada dia. Diferentes estados e municípios decretaram estado de emergência.
No mesmo período do ano passado, como comparação, foram perto de 129 mil doentes. Isso significa que o número de casos até agora é quatro vezes o de 2023, que já havia sido um dos piores anos. A situação é alarmante porque o pico da dengue ainda não chegou
De acordo com especialistas ouvidos pela Agência Senado, o excesso de calor e chuva desde o fim do ano passado, a circulação simultânea no Brasil de todos os quatro sorotipos do vírus da dengue e o crescimento das cidades estão entre as razões mais evidentes da explosão da doença.
Eles apontam que os cidadãos em geral também são responsáveis e que o poder público — embora isso nem sempre seja tão evidente — tem uma parcela grande de culpa pela atual epidemia.
O mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue, põe seus ovos à beira de água parada, seja ela limpa ou não. Os ovos eclodem quando a temperatura está alta. Dentro dessa água, as larvas se desenvolvem até se transformarem em mosquitos.
As condições extremas de calor e umidade derivam tanto do El Niño (fenômeno climático originário na costa pacífica da América do Sul que ocorre irregularmente de tempos em tempos) quanto das mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global.
A presença dos quatro sorotipos no Brasil ao mesmo tempo é uma situação atípica. Quando se infecta uma vez, a pessoa fica imune àquele sorotipo específico, mas permanece suscetível aos demais. Quanto mais sorotipos estiverem em circulação, maiores serão as chances de quem já se infectou ficar doente de novo.
Na segunda infecção, a dengue é mais agressiva e o doente corre o risco de desenvolver a forma hemorrágica, que pode matar.
Mesmo o presidente Lula dizendo eu haverá vacina para todos os brasileiros, até o momento o Brasil recebeu apenas 757 mil doses da Qdenga, em 20 de janeiro. Mais 568 mil doses devem chegar ao país em fevereiro. Até o final do ano, a Takeda diz ter "garantida a entrega de cerca de 6,6 milhões de doses".
O Ministério da Saúde espera imunizar 3,3 milhões de pessoas em regiões prioritárias este 2ano. O número é insignificante ao número de brasileiros que passam de 220 milhões de pessoas.