
O conclave que escolherá o próximo chefe da Igreja Católica Romana começará na próxima terça-feira (12). O anúncio foi feito na tarde desta sexta, pelo Vaticano. O processo deverá ser iniciado logo após a missa matinal.
"A oitava congregação geral do Colégio de Cardeais decidiu que o conclave para a eleição do papa começará terça feira, 12 de março de 2013. De manhã, na Basílica de São Pedro, será celebrada a missa 'pro eligendo Pontifice' e, de tarde, [ocorrerá] o ingresso dos cardeais em conclave", afirmou o Vaticano, em comunicado.
O encontro que definiu a data foi a sétima congregação preparatória do conclave e contou com a participação de 153 dos 207 membros do Colégio Cardinalício. Deste número, 115 eram de cardeais eleitores, ou seja, estarão isolados, na Capela Sistina, a partir de terça, para escolher o próximo papa.
Só dois cardeais com direito a voto não participarão da eleição do novo Papa: o indonésio Julius Riyadi Darmaatmadja, por motivos de saúde, e o escocês Keith O'Brien, que renunciou por motivos pessoais após reconhecer condutas sexuais impróprias nos anos 1980.
Na sessão da manhã desta sexta, 18 cardeais falaram, por isso que o número de purpurados que discursaram nestes cinco dias de congregação já soma mais de cem. Os purpurados analisaram o papel da mulher na Igreja, o diálogo inter-religioso, a bioética e a misericórdia.
Durante o conclave, os cardeais ficarão hospedados na Casa de Santa Marta (Domus Sanctae Marthae), dentro do Vaticano. Os quartos de Santa Marta serão sorteadas, com o objetivo de que os cardeais "não possam escolher ao vizinho de quarto" e de que não haja preferências por uns ou outros.
Para garantir o secretismo do encontro, haverá rigorosos controles para evitar que alguma informação seja passada ao exterior.
Segundo o jornal italiano "Corriere della Sera", há uma clara divisão entre os cardeais da Cúria, que trabalham na maquinaria da Santa Sé, no centro de escândalos e denúncias de tráfico de influências, e os do resto do mundo, que suspeitam que tudo é decidido com antecedência.
Os cardeais italianos, que constituem o bloco mais numeroso e influente, com 28 votos no conclave, preparam uma estratégia para recuperar o prestígio perdido como grandes mediadores e administradores da Cúria após as revelações do caso Vatileaks, afirma o jornal "La Repubblica".
Mas os cardeais italianos estão divididos: uns apoiam o arcebispo de Milão, Angelo Scola, considerado um reformista, e outros o brasileiro Odilo Scherer, o "homem forte" da comissão de vigilância do Banco do Vaticano, de acordo com o jornal.
"Afirma-se que a Cúria Romana apoia o brasileiro Odilo Pedro Scherer, de 63 anos, arcebispo de São Paulo, que contaria com o apoio de um Secretário de Estado 'sólido' como o italiano Mauro Piacenza ou o argentino Leonardo Sandri", sustenta o jornal.