O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) espera o respaldo de 24 mil pastores reunidos em Brasília desde ontem para permanecer no cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos. Uma moção de apoio a Feliciano pode ser aprovada hoje, na primeira reunião plenária da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, evento que reúne os pastores até a próxima sexta-feira, dia 12. O deputado, porém, não é unanimidade na convenção. O pastor que preside a congregação há 25 anos, José Wellington Bezerra, diz que Feliciano não tem condições de presidir a Comissão de Direitos Humanos.
- Não existe moção de solidariedade, isso não vai surgir da diretoria. Ele é um moço muito inteligente, bem preparado na área religiosa, mas alguém para presidir aquela comissão tem de ser neutro, sem qualquer paixão. As declarações que ele fez o tornaram incompatível para o cargo. Feliciano está tirando proveito da situação – disse José Wellington Bezerra ao GLOBO.
A convenção geral reúne a grande maioria das Assembleias de Deus do país, inclusive a de Feliciano, a Assembleia de Deus Catedral do Avivamento. Mesmo sem partir da atual presidência, a moção de apoio ao deputado pode ser sugerida por qualquer um dos pastores presentes ao evento já na reunião na tarde de hoje. Feliciano diz que vai comparecer ao evento hoje e amanhã, e, segundo sua assessoria, vai receber apoio dos pastores presentes.
José Wellington disputa a reeleição à presidência da convenção pela décima vez. A votação será na quinta. O oponente é o pastor Samuel Câmara, irmão do deputado federal Silas Câmara (PSD-AM). Samuel e Silas apoiam Feliciano sem qualquer restrição e criticam a postura de Bezerra em relação à crise envolvendo o presidente da Comissão de Direitos Humanos.
- Toda a liturgia é controlada pelo José Wellington e seu grupo político. O filho dele, Paulo Freire (PR-SP), é deputado federal e recebeu todo o apoio da cúpula da Igreja em 2010. Eles rejeitaram Marco Feliciano, que teve o dobro de votos. A moção de apoio vai surgir na convenção e deve ocorrer até mesmo do lado deles – afirmou Silas Câmara.