Uma disputa entre uma ala da bancada do PT mais alinhada com o PMDB e outra mais fiel ao próprio partido e ao Planalto está por trás da crise envolvendo o grupo que a Câmara dos Deputados criou na semana passada, para fazer reforma política – e cuja instalação foi adiada para esta semana para que os petistas possam resolver seus conflitos internos.
A bancada petista indicou o deputado Henrique Fontana (PT-RS) para representar o partido no colegiado, que tem 13 integrantes. Com a maior bancada da Casa, o PT tem a preferência para ocupar a coordenação. Em vez de confirmar Fontana no cargo, porém, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB), indicou outro petista, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).
Desde então, os grupos que apoiam cada um deles se fustigam nas coxias do Congresso. O grupo contrário a Vaccarezza diz que ele driblou o próprio partido, cacifando-se para o posto no PMDB, com o qual, dizem, possui uma relação “íntima”. Segundo esse grupo, o parlamentar é contra o plebiscito defendido pelo PT – e, também, contra a reforma política.
Do outro lado, o grupo anti-Fontana acusa o deputado gaúcho de ter sido um articulador político inábil como relator da comissão especial da reforma política na Câmara – posto que ocupa desde março de 2011. A crítica desse grupo é que, em mais de dois anos, Fontana não conseguiu convencer a maioria de seus pares a apoiar a reforma.